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Arqueologia e História Hoje


Ardi: a descoberta mais impressionante de 2009

HUMAN-EARLY/Qual seria a aparência do ancestral mais antigo do homem? Chimpanzé, a maioria diria. Pois bem, parece que nosso ancestral não era bem assim…

Ardipithecus ramidus (ou “Ardi”, para os íntimos) é considerado por muitos cientistas o mais antigo fóssil hominídeo já encontrado, datado de 4,4 milhões de anos atrás! Seu esqueleto foi exposto ao mundo em outubro, numa edição especial da prestigiosa revista cientifica Science e está sendo considerada a descoberta do ano. Tim White, da Universidade de Berkley, e 47 outros pesquisadores demoraram mais de 15 anos para publicar esses achados. Mas por que Ardi é tão especial?

Ardi é um dos pouquíssimos esqueletos bem conservados de hominídeos. Cientistas acreditam que Ardi pode ser um dos nossos ancestrais mais antigos, após nossa divergência com chimpanzés.

capa_192_253Acredita-se que hominídeos e chimpanzés tenham divergido há aproximadamente 7 milhões de anos. Até a descoberta do esqueleto de Ardi, muitos paleontólogos acreditavam que nosso ancestral comum com chimpanzés seria mais parecido com chimpanzé do que com humano (análises de DNA indicam que atualmente o nosso parente vivo mais próximo é o chimpanzé, pois tem mais de 98% de similaridade como nosso genoma).

Realmente Ardi não se parece nada com Lucy, o ancestral humano mais antigo e mais estudado até então, com 3,2 milhões de anos. A surpresa é que Ardi também não se parece com chimpanzés. Ardi está mais para um tipo de hibrido com características bastante peculiares… Eu explico, mas antes vamos discutir um pouco sobre a história (ou melhor, pré-história) dos hominídeos e sua importância na árvore evolutiva humana.

Hominídeos são nossos primeiros antepassados bípedes. Repare que, para ser caracterizado um hominídeo, o esqueleto fóssil tem que demonstrar habilidade de caminhar sem o auxílio das mãos. Chimpanzés não são capazes de andar por longas distâncias em duas pernas. Na verdade, nenhuma outra espécie de primata é bípede a maior parte do tempo como nós. Evidências fósseis e rastros de pegadas preservadas indicam que o bipedalismo ocorreu assim que a linhagem humana divergiu dos antigos macacos africanos.

Alguns cientistas acreditam que o bipedalismo foi essencial para o desenvolvimento da cultura humana, pois liberou nossas mãos para carregar grandes quantidades de comida além de possibilitar a manipulação de ferramentas. Análises do esqueleto fossilizado de Ardi indicam que sua bacia tem capacidade de equilíbrio para caminhar com 2 pernas e há evidências de que a posição de sua cabeça era ereta e não curvada para frente, como nos chimpanzés.

Outra evidência do bipedalismo em Ardi veio da reconstituição dos ossos da mão. Concluiu-se que a estrutura dos ossos é bem mais frágil do que o observado em chimpanzés, que têm adaptações específicas para subir em árvores e caminhar apoiados nos ossos do metatarso. Essa característica pode indicar que as adaptações na mão e pulso, desenvolvidas por chimpanzés, provavelmente ocorreram após a divergência com humanos.

Em que o Ardi se diferencia dos humanos, então? Ardi tem o polegar opositor aos dedos da mão, como humanos modernos e como Lucy, mas também possui o polegar opositor aos dedos do pé. Essa característica facilita a caminhada e movimentação em ambientes como galhos de árvores. A presença do polegar opositor no pé não é observada em humanos modernos e nunca tinha sido observada em nenhum outro hominídeos até então.

Ainda que não totalmente confirmada, essa observação modifica a nossa visão do ambiente em que os antepassados dos humanos viviam. De acordo com C. Owen Lovejoy, outro autor envolvido no projeto, os primeiros ancestrais dos humanos não moravam nas Savanas como anteriormente previsto, mas sim em florestas.

Em resumo, as interpretações do grupo de Tim White levantam muitas questões interessantes sobre nossos ancestrais, mas principalmente nos fazem rever a forma de pensar sobre a evolução dos primeiros hominídeos. Aparentemente, não adianta simplesmente olhar características dos chimpanzés modernos e assumir relações evolutivas entre nós. Os chimpanzés também evoluíram 6 a 7 milhões de anos até os dias de hoje. Mais recursos têm que ser investidos para estudar a árvore evolutiva dos chimpanzés – até hoje poucos fosseis foram encontrados.

Fonte: G1.com



Escrito por Wanison às 05:11:26 PM
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Arqueólogos israelenses encontram casa que seria da época de Jesus Cristo:




Escrito por Wanison às 05:03:44 PM
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Escavações indicam que vocação comercial em Pinheiros começou há 150 anos:




Escrito por Wanison às 04:45:58 PM
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Arqueólogos buscam vestígios de aldeia indígena no Largo da Batata:




Escrito por Wanison às 04:24:27 PM
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Arqueólogo descobre no AM novas marcas gigantes de povos ancestrais

Geoglifos foram encontrados em Boca do Acre (AM).
Veja os desenhos antepassados por meio de imagens de satélite.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

Em pouco tempo, arqueólogos poderão trabalhar por computador, dentro de uma sala fechada, com ar condicionado. Essa é a aposta do cientista Alceu Ranzi, que tem usado imagens de satélite do Google Earth para descobrir marcas gigantes, conhecidas como geoglifos, deixadas por povos ancestrais que viveram na Amazônia há pelo menos 700 anos.

Os últimos desenhos foram encontrados nas proximidades da cidade de Boca do Acre, no Amazonas. São cinco conjuntos de formas geométricas, com círculos, quadrados e linhas, que chegam a medir mais de um quilômetro de um extremo ao outro.

 De tão grandes, os geoglifos recém descobertos só são perceptíveis do alto. “Não se vê no campo. Há uma diferença na cor da grama, mas é muito tênue. Se não houvesse imagens de satélite, não haveria a menor condição [de fazer a descoberta]”, conta o arqueólogo, que é pesquisador da Universidade Federal do Acre (UFAC).

Até agora, já são cerca de 300 geoglifos registrados no Acre e no Amazonas. Ranzi explica que já sabia da existência dos desenhos de Boca do Acre desde 2006, mas só queria divulgar a notícia por meio de uma revista científica. No início do mês, ele assinou com dois colegas um artigo na “Antiquity”, publicação especializada em arqueologia, em que descreve as cinco marcas encontradas no Amazonas.

Mistério

 
Desde a década de 1970, quando cientistas perceberam a existência dos geoglifos brasileiros, essas formas geométricas intrigam arqueólogos. Até agora, não se sabe exatamente para que serviam, mas dão a pista de que ali, no meio da floresta, poderiam existir civilizações mais complexas e numerosas do que se imagina. Para desenhar geoglifos, eles tinham que ter conhecimentos de geometria e serem capazes de realizar grandes obras.

Tanto no Acre quanto no Amazonas, as marcas só foram descobertas por causa do desmatamento, que “limpou” o terreno e tornou os desenhos visíveis. Como as estruturas são profundas – os sulcos chegam a ter 12 metros de largura e quatro de profundidade -, acredita-se que ali, pelo menos sobre os geoglifos, houve um período em que não havia floresta.

“Será que era realmente floresta [quando se construiu os desenhos] ou eles ocuparam essa área em um momento de crise climática, como essa de 2005?”, conjectura Ranzi.

Ainda não se sabe qual era a função das marcas profundas cavadas no chão, mas especialistas imaginam que as formas geométricas não foram desenhadas à toa, e tinham algum significado. Entre as hipóteses sobre as funções dos geoglifos estão a de que eles serviam como fortificações ou como templo religioso.

Fonte: Globo Amazonia



Escrito por Wanison às 03:59:11 PM
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Arqueologia tenta desvendar história dos antigos moradores de Roraima

Datações indicam presença humana há pelo menos 4 mil anos.
Estado tem mais de cem sítios arqueológicos, segundo pesquisadora.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

Roraima tem mais de cem sítios arqueológicos, mas os povos que habitaram o estado no extremo norte do país ao longo da história ainda são pouco conhecidos. “Temos aqui datações de até 4 mil anos”, relata a arqueóloga e professora de história da Universidade Federal de Roraima (UFRR) Shirlei Martins, que acaba de apoiar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a cadastrar um novo sítio em São Luiz do Anauá, município ao sul da capital Boa Vista.

“Já são mais de 80 sítios cadastrados em Roraima. O potencial arqueológico do estado é muito grande”, afirma Carla Gisele Moraes, superintendente do Iphan no estado.

 

Veja galeria de fotos de arte rupestre em Roraima

 


De acordo com Shirlei, o povo mais conhecido são os chamados rupununi, que viveram na área de savana ao norte do estado, próximo à fronteira com a Guiana. Vestígios apontam que eles estiveram na região desde 1.200 anos atrás, até os primeiros contatos com os europeus, no século 18. “Eles enterravam seus mortos em urnas funerárias com muitos materiais interessantes, inclusive artefatos europeus que receberam”, conta Shirlei.

A pesquisadora explica que, além de urnas funerárias, são comuns os desenhos em rocha nas áreas de savana ao norte de Caracaraí. Nas regiões de floresta, mais ao sul do estado, não se encontram pinturas rupestres, mas petroglifos, desenhos escavados na pedra em baixo-relevo.

Segundo a professora, se supõe que os povos que viveram na região da savana têm mais ligação com os índios caribenhos, enquanto os do sul do estado têm relação com os habitantes do Rio Negro, embora isso não seja confirmado.

 

Para estabelecer uma relação dos antigos habitantes do sul de Roraima com o resto da bacia do Rio Negro, seria necessário fazer uma comparação de seus desenhos com os de sítios no Amazonas. No entanto, devido à umidade, é difícil encontrar vestígios bem conservados nessas regiões. “As pesquisas são poucas ainda”, aponta a cientista.

Rumores sobre antigos desenhos incas, fenícios e até gregos no estado amazônico não são verdadeiros, segundo a historiadora.

O trabalho arqueológico em Roraima esbarra na falta de recursos. De acordo com Shirlei Martins, o estudo de alguns sítios só está sendo possível porque os municípios que os abrigam resolveram dar apoio logístico. “Trabalhamos com recursos próprios”, afirma.

Fonte: Globo Amazonia



Escrito por Wanison às 03:53:05 PM
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Cientistas estimam: "Homem de Pequim" teria ao menos 200 mil anos

Estudo realizado por cientistas chineses e americanos sugere que o "Homem de Pequim", que viveu no sudoeste da capital chinesa, teria pelo menos 200 mil anos

O Homem de Pequim, como é mais conhecido o Homo erectus que viveu na região de Zhoukoudian, a 50 quilômetros ao sudoeste da capital chinesa, é mais velho do que se estimava. Pelo menos 200 mil anos, segundo estudo publicado recentemente na revista Nature.

 

A conclusão, de três cientistas chineses e um norte-americano, vem da análise de fósseis encontrados na região desde a década de 1920, quando sua presença foi descoberta pelo arqueólogo e geólogo sueco Johan Gunnar Andersson e colegas.

 

Os primeiros fósseis de Homo erectus foram encontrados em Java, na Indonésia, em 1892, pelo antropólogo holandês Eugène Dubois. Foi Dubois que deu à espécie, conhecida popularmente como "Homem de Java", o nome erectus, por conta da análise de ossos que indicou uma postura ereta. Inicialmente chamado de Pithecanthropus erectus, foi depois reclassificada para o gênero Homo.

 

Estima-se que o Homo erectus tenha se originado na África há cerca de 2 milhões de anos, emigrando do continente no início do Pleistoceno (período compreendido entre cerca de 1,8 milhão e 10 mil anos atrás). Foram encontrados fósseis da espécie também na Europa e no Vietnã.

 

O Homo erectus tinha crânio menor do que o Homo sapiens e media entre 1,45 metro e 1,80 metro. Andava com postura ereta e passos semelhantes ao do homem moderno. Usava ferramentas de pedra e usava fogo para se defender, se aquecer e cozinhar a caça.

 

A nova pesquisa indica que hominídeos sobreviveram na região durante glaciações e nos períodos intermediários aos eventos e tem importantes implicações sobre quando ocorreu a migração do gênero Homo pela Ásia.

 

No sítio arqueológico de Zhoukoudian foram encontrados ossos de pelo menos 50 indivíduos. Cientistas têm tentado datar os registros com exatidão há décadas, mas os métodos existentes para analisar depósitos em cavernas limitaram os resultados.

 

Guanjun Shen, da Universidade de Nanjing, e colegas usaram um novo e mais preciso método de datação, baseado no decaimento radioativo de isótopos de alumínio e de berílio em grãos de quartzo.

 

A análise indicou que os fósseis têm cerca de 750 mil anos, ou 200 mil a mais do que as estimativas anteriores.

 

Até então, cientistas achavam que a presença do Homo erectus teria tido uma origem comum, de um grupo que se dispersou ao chegar à Ásia. O novo estudo aponta para a necessidade de uma revisão, por conta da grande diferença dos momentos em que a espécie chegou a cada região no continente.


Fonte: Revista GEO



Escrito por Wanison às 03:50:50 PM
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Amazônia rupestre
Centro Cultural em Manaus expõe pesquisas mais recentes sobre a arqueologia da região

Relegada até bem pouco tempo atrás, a arte rupestre da região amazônica vem ganhando, aos poucos, os olhares de pesquisadores. É o caso de Edithe Pereira, do Museu Paraense Emílio Goeldi, no Pará. Pioneira no assunto, ela ajudou a inventariar e montar a coleção Arte Rupestre, em exposição no Centro Cultural dos Povos da Amazônia.

Com representações diversas, os traços chamam a atenção para a arqueologia da região, que já é reconhecida como um dos pontos de maior concentração de sítios rupestres no país. Uma pequena amostra pode ser vista de terça a sexta, das 9h às 14h, e aos domingos, das 16h às 20h. Praça Francisco Pereira, s/n, Crespo.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional



Escrito por Wanison às 07:03:55 PM
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Vejam Matéria da Revista Veja Sobre Arqueologia Bíblica Aqui :

http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=1884&pg=102

Fonte: Revista Veja



Escrito por Wanison às 06:43:44 PM
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Minissubmarinos ajudam arqueologia marítima

A exploração de navios naufragados, por muito tempo, esteve limitada aos possíveis de serem alcançados por seres humanos em roupas de mergulho com equipamento de respiração artificial. No entanto, uma nova tecnologia, os Veículos Submarinos Automáticos (AUV, na sigla em inglês), pode mudar isto.

Em geral, os minissubmarinos precisam do suporte de embarcações grandes e caras, mas não é o caso dos AUV. Os AUVs poderão dar nova vida à arqueologia marítima, que é negligenciada em nome de caças ao tesouro, normalmente mais rentáveis.

Uma das iniciativas é do arqueólogo marinho Brendan Foley, que pretende explorar uma região ao norte do Egito. Qualquer navio encontrado nesta região provavelmente será o naufrágio mais antigo já descoberto. Para levar seu plano adiante, Foley só precisa do aval do ministério da Defesa egípcio para explorar o Mediterrâneo.



Escrito por Wanison às 06:20:19 PM
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Arqueólogos identificam 'primeiro caso de lepra' conhecido, diz jornal

Exame de DNA confirmou enfermidade em corpo enterrado.
Vítima morreu no século 1º d.C., informa 'Jerusalem Post'.

Do G1, em São Paulo

 

Foto: reprodução

Local das escavações fica perto de onde Judas cometeu suicídio, segundo o relato bíblico (Foto: reprodução)

 

Escavações feitas por pesquisadores israelenses num local conhecido como Tumba do Sudário, próxima à Cidade Velha de Jerusalém, revelaram que um homem lá enterrado, que viveu na primeira metade do século 1º d.C., sofria de hanseníase.

 

Trata-se, informa o jornal "The Jerusalem Post", do primeiro caso conhecido da moléstia, confirmada por meio de exames de DNA.

 

O local das escavações fica no Vale do Hinom, perto do portão de Jaffa, e é parte de um cemitério que existiu no primeiro século depois de Cristo, que era conhecido como Aceldama ("Campo de Sangue", mencionado na Bíblia).

 

Também fica perto do local onde Judas cometeu suicídio, segundo o relato bíblico.

Fonte: G1

 



Escrito por Wanison às 06:17:56 PM
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Universidade Federal de Ouro Preto

Abertas, de 21/12/2009 a 22/01/2010, as inscrições para Professor - Edital PROAD 173/2009 - Área: Antropologia, Arqueologia e Ciências Sociais.

 

pdf  Veja aqui o Edital

 

Fonte: UFOP



Escrito por Wanison às 06:14:00 PM
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Arqueólogos israelenses encontram casa da época de Jesus em Nazaré

Na casa, foram achados potes de argila, que indicam que ela foi habitada por uma família judia pobre.

Da BBC

 

Foto: AP/Dan Balilty

Residência no norte de Israel é da época de Jesus (Foto: AP/Dan Balilty)

 

  • Aspas

    É provável que Jesus e seus amigos de infância tenham conhecido a casa"

Arqueólogos israelenses revelaram nesta segunda-feira (21) que encontraram os restos da primeira residência encontrada na cidade de Nazaré, no norte de Israel, que pode ser da época de Jesus Cristo.

 

De acordo com o jornal israelense "Haaretz", a descoberta fornece mais dados sobre como era a vida na cidade de Nazaré há cerca de 2 mil anos. A casa provavelmente fazia parte de um pequeno vilarejo com cerca de 50 residências habitadas por judeus pobres.

 

 


Uma porta-voz da Autoridade Israelense para Antiguidades, Yardenna Alexandre, informou que os restos de uma parede, uma cisterna para coleta de água da chuva e um refúgio foram encontrados depois da descoberta do pátio de um antigo convento.

 

Os arqueólogos também encontraram potes de argila, do tipo que era usado pelos moradores da Galileia (norte de Israel) na época, uma indicação de que a casa pertencia a uma família judia simples.

 

"É provável que Jesus e seus amigos de infância tenham conhecido a casa", afirmou a porta-voz em entrevista.

 

 

 

AP/AP

'Até agora poucas sepulturas da época de Jesus foram encontradas, mas nunca encontramos os restos de residências daquela época' (Foto: AP/Dan Balilty)

 

"A partir das poucas provas escritas disponíveis, sabemos que a Nazaré do primeiro século da era cristã era um pequeno vilarejo judeu localizado em um vale", disse Yardenna , acrescentando que até agora "poucas sepulturas da época de Jesus foram encontradas, mas nunca encontramos os restos de residências daquela época".

 

Um poço também foi encontrado, e os arqueólogos calculam que ele foi construído como parte dos preparativos dos judeus para a Grande Revolta contra os romanos, entre os anos de 66 e 73 d.C.

Fonte: BBC - Brasil



Escrito por Wanison às 06:10:12 PM
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Cema pesquisa história e arqueologia dos povos indígenas da Mesoamérica e dos Andes

 
 Vasos andinos do acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP

Na Mesoamérica e nos Andes surgiram as mais grandiosas civilizações da América Pré-Colombiana. Incas, Maias e Astecas são apenas alguns dos povos que habitaram esses locais, que até hoje possuem uma forte herança cultural indígena.

A academia brasileira nunca foi das mais atentas em relação ao tema. A USP não era exceção - a realidade na Universidade começou a mudar em 2002, com a criação do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos (Cema).

O centro está alocado no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Mas seus membros fazem questão de enfatizar que não se trata de um centro de estudos históricos apenas, mas, principalmente, de característica multidisciplinar. “A nossa preocupação é a questão da América indígena, de forma a não traçar fronteiras, nem cronológicas e nem regionais. A gente trabalha com esse mundo indígena, no sentido mais amplo”, explica Marcia Maria Arcuri, pesquisadora do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e uma das fundadoras do centro.

Outro objetivo do grupo é promover o diálogo dessas pesquisas com as que se dedicam a populações nativas de outras regiões do continente. Esse é o foco do trabalho de Cristiana Bertazoni Martins, um dos membros do Cema, que pesquisa a presença inca nas terras amazônicas. Atualmente, seu foco é a região dos rios Madre de Dios e Beni, dois afluentes do rio Madeira. “Os incas tinham, sim, relações com os povos dessas regiões, porém de forma indireta. Tinham uma relação de diplomacia, de troca de presentes e de reciprocidade.”

Para Cristiane, a USP é hoje, graças ao centro, a instituição brasileira mais preparada para conduzir pesquisas na área.

História
Em 2000, um grupo de estudantes de mestrado e doutorado da USP que realizava pesquisas sobre a história e a arqueologia dos povos mesoamericanos e andinos começou a trabalhar para constituir o centro. Eduardo Natalino dos Santos, hoje professor da FFLCH, era um desses alunos. Ele diz que a principal preocupação dos pesquisadores era permitir a continuidade desses trabalhos.

Eduardo concentra sua pesquisa na Mesoamérica. Ele pesquisou inicialmente a visão dos missionários europeus sobre os deuses indígenas, e agora expandiu sua investigação para os textos que os próprios povos escreveram sobre sua religião. “A nossa visão sobre como esses povos encaram seu próprio passado está muito mais relacionada com o que os missionários disseram do que com o que eles próprios disseram”, afirma o pesquisador.

Outras atividades

O Cema realiza mensalmente, há cinco anos, o Seminário Permanente de História e Arqueologia da Mesoamérica e Andes. As apresentações, que são gratuitas e abertas a todos, têm o objetivo de levar as discussões dobre o assunto para os alunos de graduação da Universidade.

Outro evento que o centro promove periodicamente é o Colóquio de História e Arqueologia da América Indígena, que já teve 5 edições. Os colóquios são oportunidades para que pesquisadores de diversas instituições brasileiras e estrangeiras apresentem seus trabalhos. “É o momento em que a gente tenta abrir o diálogo para qualquer área de história e arqueologia da América indígena”, explica Eduardo.

E para facilitar a vida dos pesquisadores da área, os pesquisadores criaram grupos de estudo das línguas indígenas quéchua e nahuatl. Eduardo diz que “esses grupos respondem a uma demanda mais localizada, que é dominar minimamente a língua, para estudar as fontes coloniais”.

Fonte: USP On Line



Escrito por Wanison às 07:11:09 PM
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Arqueólogos encontram manteiga centenária na Austrália


Sydney (Austrália), 16 dez (EFE).- Arqueólogos da Nova Zelândia encontraram na Antártida dois blocos de manteiga intactos, abandonados no continente gelado há quase um século pela expedição fracassada do explorador britânico Sir Robert Falcon Scott para chegar ao Polo Sul.

A manteiga foi achada em bolsas espalhadas pelo solo de uma tenda de campanha utilizada pelos homens de Scott na base de Cape Evans, informou hoje a televisão neo-zelandesa.

O extremo frio polar preservou o alimento, embora a cientista Lizzie Meek tenha dito, em tom de brincadeira, que "o cheiro era tão forte que não tenho certeza de que gostaria de comê-la".

Scott iniciou em Cape Evans uma famosa expedição para ser o primeiro homem em alcançar o Polo Sul.

Acompanhado de outros quatro pesquisadores, o explorador britânico levou quase dois anos para chegar ao ponto mais meridional do planeta, em 17 de janeiro de 1912, mas cinco semanas antes a expedição do norueguês Roald Amundsen já tinha cumprido a jornada.

Depois do fracasso, Scott e seus companheiros morreram durante a viagem de volta.

Há um mês, outra equipe neozelandesa achou na Antártida duas caixas de uísque escocês pertencentes a uma expedição ao continente gelado liderada pelo irlandês Ernest Shackleton.

Fonte: UOL Noticias



Escrito por Wanison às 05:57:43 PM
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De volta para o passado (mas de olho no futuro)

Conheça alguns dos grandes mistérios da arqueologia.

por Texto Reinaldo José Lopes

Embora ainda deva muitas respostas, a arqueologia tirou a humanidade da ignorância sobre si mesma. Liquidou algumas dúvidas existenciais. E ainda está ajudando a garantir nossa sobrevivência no planeta.

"A arqueologia é a busca por fatos, não pela verdade. Se é a verdade que vocês procuram, podem assistir à aula de filosofia do dr. Tyree, do outro lado do saguão.” Quem disse isso foi o mais famoso arqueólogo de todos os tempos, Indiana Jones, falando aos seus alunos no 3º filme da série – A Última Cruzada. A frase é ótima, principalmente porque expõe um lado da pesquisa arqueológica com o qual as pessoas não estão acostumadas: toda interpretação do passado sempre é provisória.

Nunca soubemos tanto sobre as origens de povos e civilizações quanto sabemos hoje. Mesmo assim, muitas perguntas sobre a saga da humanidade continuam sem resposta. Tudo bem se considerarmos que a importância real desses mistérios é pouca diante de outras questões talvez menos glamorosas, mas certamente relevantes para o nosso próprio futuro como espécie. Futuro? Pode apostar: a arqueologia moderna está revelando por que algumas sociedades humanas sobreviveram e se expandiram, enquanto outras entraram em colapso; quais escolhas históricas são sábias e quais podem nos levar para o buraco. Se quisermos sobreviver aos próximos séculos, é bom prestar atenção.

FATOS REAIS

Se o velho Indiana mandou bem no sermão aos alunos, pisou na bola ao propagar a idéia de que os arqueólogos passam a vida atrás de cidades perdidas, como Eldorado ou Atlântida, e artefatos com poderes sobrenaturais, do tipo santo graal e arca da Aliança. É fato que as lendas envolvendo esses lugares e cacarecos deram um belo empurrão nas pesquisas quando a arqueologia ainda vivia os seus primórdios. Mas nenhum arqueólogo que se dê ao respeito, hoje em dia, pensa em achar a arca de Noé ou se apoderar do graal.

A explicação é muito simples: esses mistérios fascinantes só existem porque surgiram como ficção “inspirada em fatos reais” – às vezes nem isso. Pode-se dizer, por exemplo, que os espanhóis acharam o Eldorado no século 16: era o Império Inca, que realmente guardava riquezas fabulosas e cuja fama, ao ser transmitida via “telefone sem fio” pelas tribos da América do Sul, acabou criando a lenda de uma cidade dourada no meio da floresta. Atlântida, por sua vez, só existiu na cabeça de Platão, o filósofo grego que mencionou pela primeira vez o “continente perdido” no século 4 a.C. No máximo, ele pode ter se inspirado em histórias a respeito de grandes erupções vulcânicas no Mediterrâneo antigo.

A lenda do santo graal também nasce de um fato concreto. Afinal, é bastante razoável supor que Jesus tenha usado algum tipo de cálice para tomar vinho durante a Última Ceia. Mas a idéia de que o mesmo recipiente serviu para recolher o sangue do Messias – e que, por isso, ganhou poderes espirituais fabulosos – é obra da criatividade de poetas franceses do século 12, autores das primeiras sagas de cavalaria sobre o graal. Detalhe: segundo os evangelhos, o salão onde a Última Ceia aconteceu era emprestado. Conseqüentemente, os talheres também. A não ser que os apóstolos tivessem uma tendência à cleptomania, fica difícil explicar como o graal teria sido preservado. Quanto à arca da Aliança, o mais provável é que sua cobertura de ouro tenha sido derretida pelos babilônios que destruíram o Templo de Jerusalém, em 586 a.C. E que a madeira debaixo do metal precioso tenha sido simplesmente queimada.

Embora a gente sempre relacione arqueologia com grandes escavações, nem sempre é assim que as coisas funcionam. Para começar, boa parte do trabalho dos arqueólogos de hoje é feita dentro de bibliotecas. E, quando estão escavando, nem sempre o que procuram são tesouros perdidos. Grandes descobertas muitas vezes acontecem durante um simples recolhimento de artefatos tão tediosos quanto cacos de cerâmica – na verdade, ferramentas essenciais para entender a sucessão de culturas ao longo do tempo.

Exemplos clássicos dessa aparente contradição são os chamados coprólitos: em grego, algo como “cocôs de pedra”. Compostos basicamente de fezes e urina, eles estão entre as “preciosidades” mais desejadas pelos arqueólogos. Dá para imaginar algo mais sem glamour que uma expedição arqueológica em busca de “cocôs de pedra”? Acontece que eles guardam todo tipo de pistas sobre animais e seres humanos do passado. E podem ajudar a esclarecer mistérios que jamais seriam solucionados por outros meios. Foi o caso do eterno debate: havia canibais entre as antigas populações indígenas da América? Alguns antropólogos sempre defenderam que as suspeitas de canibalismo tinham sido plantadas pelos colonizadores europeus, loucos para justificar o genocídio dos nativos americanos. Eles só não contavam com a astúcia do americano Richard Marlar, professor da Universidade do Colorado, nos EUA.

PICADINHO DE GENTE

Colegas de Marlar identificaram em 1994, num sítio arqueológico do Colorado batizado Cowboy Wash, restos humanos do século 12 que pareciam ter sido fatiados e cozidos, como um picadinho de carne. Por sorte, também havia coprólitos em abundância no local. O professor levou o material ao laboratório e, 6 anos depois, anunciou que os “cocôs de pedra” continham a forma humana da mioglobina – uma proteína dos músculos. Era uma prova definitiva: o “autor” daqueles coprólitos certamente tinha comido gente cerca de 800 anos atrás. Quase 15 anos mais tarde, em abril de 2008, os compostos voltaram às manchetes, desta vez com uma datação de aproximadamente 14 mil anos obtida numa caverna do Oregon, também nos EUA. São as mais antigas evidências diretas de presença humana no continente americano. E apresentam DNA típico dos índios atuais.

Nas últimas décadas, a arqueologia vem prestando valiosos serviços aos ambientalistas. O conhecimento produzido no estudo do passado cada vez mais é usado para projetar nosso futuro. Uma das contribuições dos arqueólogos nesse sentido foi a resposta encontrada para o desaparecimento dos índios Anasazi, que viveram entre os séculos 8 e 12 no sudoeste dos EUA. Esse povo cresceu tanto e era tão chegado a grandes “projetos habitacionais” que acabou com toda a floresta que cobria a região, abrindo espaço para a agricultura e a construção de moradias. Resultado: os animais sumiram, os rios secaram e a área acabou virando um imenso deserto. Quando faltou comida, ocorreram casos de canibalismo – como o documentado em Cowboy Wash.

De fato, parece haver uma associação sinistra entre ambientes severamente degradados e o colapso misterioso de grandes civilizações. No século 18, quando os europeus chegaram pela primeira vez à ilha de Páscoa, no meio do oceano Pacífico, ficaram surpresos ao ver estátuas de pedra pesando dezenas de toneladas, com a altura aproximada de um prédio de 5 andares, em meio a uma população de nativos maltrapilhos e famintos, com apenas 2 mil indivíduos. Detalhe: quase não existiam árvores na ilha.

A partir de meados do século 20, os arqueólogos levantaram pistas contundentes sobre o desastre que atingiu a ilha de Páscoa. Por volta do ano 1000, um grupo de polinésios chegou ao local e prosperou rapidamente. Primeiro, caçando adoidado, até que todas as aves terrestres nativas estivessem extintas. Depois, cultivando alimentos. O território acabou sendo dividido em clãs, que passaram a competir por status construindo estátuas – os famosos moais – cada vez maiores. Uma competição tão estúpida só poderia acabar mal. Para alimentar a tropa de operários que metia a mão na massa, o jeito foi produzir mais gêneros alimentícios, aumentando a pressão sobre o solo. Enquanto isso, os enormes blocos de pedra tinham de ser transportados em trilhos de madeira, o que levou a um desmatamento nunca visto. Foi assim até que a ilha se transformasse num ambiente quase estéril. Veio a fome, seguida pela guerra. E pronto: fim da linha para os habitantes de Páscoa, que chegaram a ser 30 mil.

Uma combinação parecida de crescimento populacional descontrolado e desmatamento, junto com uma série de secas, também pode estar por trás do colapso da civilização maia, no México e na América Central, por volta do ano 900. Numa sucessão relativamente rápida, lugares como Copán, Tikal e Palenque foram simplesmente abandonados. Há indícios de que os maias não souberam usar com o devido cuidado seus recursos naturais. Essa, no entanto, é só uma das teses. Cogita-se também a possibilidade de que uma epidemia tenha devastado o império inteiro, ou que a guerra entre cidades, aos poucos, tenha minado seus alicerces. Talvez a explicação para o sumiço dos maias seja a soma de todas essas teorias. Ninguém sabe. E esse é apenas um dos grandes mistérios que a arqueologia ainda não conseguiu resolver.

DÚVIDAS CRUÉIS

De quem é o rosto da esfinge? Pode até ser que, nos próximos anos, os arqueólogos descubram quem serviu de modelo para esse que é um dos monumentos mais ilustres do Egito antigo. Mas o que eles realmente querem é desvendar os mistérios de grosso calibre. Que fim levou a gloriosa civilização do vale do Indo, no subcontinente indiano, cujo império durou de 2900 a 1900 a.C.? Por que certos povos, como incas e cartagineses, faziam sacrifícios humanos?

Como as demais áreas da ciência, o estudo do passado humano deve avançar atrelado a novas tecnologias, como a capacidade de analisar rapidamente grandes quantidades de DNA ou de usar lasers e radares para mapear estruturas antigas com precisão. Há apenas 10 anos, obter material genético de uma simples múmia parecia coisa de ficção científica. Hoje, os pesquisadores caminham para a decodificação completa do genoma dos neandertais – os primos mais próximos do homem moderno, que se extinguiram misteriosamente há 30 mil anos.

Ainda que muitas perguntas permaneçam sem resposta, a arqueologia solucionou enigmas complicadíssimos nos últimos 200 ou 300 anos. Descobriu civilizações que jamais imaginamos pudessem ter existido. E decifrou outras tantas – como a egípcia – em detalhes que surpreenderiam até os próprios faraós. Acima de tudo, ela cumpriu o importante papel de tirar a humanidade da mais absoluta ignorância sobre si mesma, aju-dando-nos a encontrar respostas até para questões de natureza existencial. De onde viemos? Quando fundamos a civilização? Encontramos algumas dessas respostas.

Fonte: Super Interressante



Escrito por Wanison às 05:15:01 PM
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Arqueologia,escavando na rede

por Denis Russo Burgierman

Arqueólogo é um sujeito que passa os dias abrindo buracos no chão, peneirando a terra e limpando as pedras com pincel para tentar achar, no meio de um monte de poeira, uma preciosidade que ajude a montar o quebra-cabeças do passado humano. É mais ou menos como navegar na internet: o trabalho consiste em separar os 99% de joio do 1% de trigo. Para encontrar os sites mais úteis e divertidos sobre arqueologia, a Super saiu a campo e escavou fundo na web. Com vocês, o que há de melhor sobre arqueologia na rede.

 

EMuseum

emuseum.mankato.msus.edu

Um verdadeiro museu virtual de arqueologia, com informação completíssima sobre a história dessa ciência, seus maiores feitos, suas áreas de atuação e os principais sítios de todas as partes do mundo. O museu tem até um café, onde você encontra receitas antigas, como a de um pão navajo e a de um suflê de pêra romano.

 

Satellite Remote Sensing and Archaeology

ourworld.compuserve.com/homepages/mjff/homepage.htm

As fotos de satélite estão se tornando uma ferramenta tão preciosa para os arqueólogos de hoje quanto a pá. Este site acadêmico mostra o quanto o recurso pode ser útil para localizar ruínas soterradas, encontrar padrões geométricos e reconstituir paisagens antigas. Há exemplos de várias partes do mundo.

 

An Architect in Northern New Mexico

www.newmex.com/architectVRe

Outra ferramenta ultramoderna que os estudiosos do passado estão adorando é a realidade virtual. Neste site, mantido pelo arquiteto Dennis Holloway, você encontra modelos reconstruídos de antigas aldeias dos índios americanos anasazi. Dá para imaginar direitinho como eram os lugares. Holloway aplica os conhecimentos arquitetônicos desses índios em seus projetos.

 

Arqueologia Brasileira

www.itaucultural.org.br/arqueologia

O melhor endereço sobre o assunto no Brasil. Discute em profundidade e com muitas fotos três assuntos que fascinam os arqueólogos brasileiros: as escavações no local da Guerra de Canudos, as pinturas rupestres e os sambaquis, montes de conchas fósseis comuns no litoral do país.

 

Secrets of Eastern Island

www.pbs.org/wgbh/nova/easter

Neste site superinterativo da revista digital Nova você passeia entre os fabulosos moais da Ilha de Páscoa. Há também um vídeo sensacional que mostra um grupo de pessoas tentando mover uma daquelas estátuas de 10 toneladas usando só os recursos disponíveis no tempo em que elas foram construídas. Tem até um joguinho no qual você mesmo empurra o moai.

 

The Greeks

www.pbs.org/empires/thegreeks

Outro site espetacular da Nova. Aqui você aprende tudo sobre os gregos, passeia pelos templos de Atenas e entende como eles foram construídos. Mas o recurso mais surpreendente é uma câmera que você maneja daqui do Brasil, dando zooms e mudando os ângulos, para saber o que está acontecendo neste exato momento lá na Acrópolis, um dos mais famosos sítios arqueológicos do mundo.

 

Land of The Pyramids

www.discovery.com/guides/ancientworlds/egypt/egypt.html

Um lugar ao mesmo tempo completo e divertido sobre arqueologia egípcia. Deixa você acompanhar uma aventura entre as pirâmides e tem um mapa superatualizado no qual dá para ficar sabendo de todas as expedições científicas que estão ocorrendo na terra dos faraós. Há também muitas fotos e textos ótimos.

Fonte: Super Interressante



Escrito por Wanison às 05:05:29 PM
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Arqueologia: às favas com os poderosos

A arqueologia nunca esteve tão determinada a descobrir como vivia o povão da Antiguidade. E a tecnologia é uma ferramenta poderosa na busca de informações sobre ele

por Texto José Sérgio Osse

Os exploradores de hoje são bem diferentes daqueles que escreveram a história da arqueologia até a 1ª metade do século 20. Agora eles têm outro foco. Em vez de poderosos governantes, cidades perdidas, tesouros mesopotâmicos e tumbas faraônicas, estão bem mais preocupados com o estudo do dia-a-dia, do cotidiano de grandes civilizações da Antiguidade. É claro que descobertas extraordinárias ainda acontecem, e com uma freqüência como nunca se viu (leia mais no mapa das págs. 44 e 45). Mas raramente elas vêm acompanhadas de uma múmia cercada por objetos de ouro.

“A arqueologia tende a se ver mais como uma ciência social, para a qual palácios ou tesouros muitas vezes são menos importantes do que as questões que eles podem responder”, diz Roger Bagnall, o diretor do Instituto para o Estudo do Mundo Antigo da Universidade de Nova York, nos EUA. O britânico Robin Boast, curador do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, concorda: “Mais para o fim do século 20, houve uma grande mudança de interesse, que migrou de ‘civilizações’ para ‘culturas’ e ‘sociedades’”.

Esse novo olhar lançado sobre o passado ampliou o horizonte da arqueologia e transformou em achados importantes alguns artefatos que, antes, eram considerados de pouco interesse. É o caso dos grafites de várias cidades romanas, como Pompéia. “Eles tratam dos sentimentos da população, na forma de poemas, desenhos e até piadas, revelando romanos muito diferentes daqueles que encontramos na literatura erudita”, diz Pedro Paulo Funari, professor de arqueologia e coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo. “Por meio desses grafites, o quadro da cultura romana se tornou mais amplo e variado.”

Conceitos superados

A nova arqueologia acabou derrubando velhos conceitos, como o de que os povos da Antiguidade se mantiveram isolados a maior parte de sua históriaArqueologia, fez desmoronar o que restava dessa teoria. Escavando grandes murais em Tell El Da’ba, no delta do Nilo, ele percebeu que aquelas pinturas, embora estivessem num sítio genuinamente egípcio, eram idênticas às encontradas na ilha de Creta, feitas por outra civilização. Estava provado que, além de manter relações comerciais, antigas civilizações também trocavam influências culturais e artísticas. e só entraram em contato uns com outros no campo de batalha. Em 1990, uma descoberta de Manfred Beitak, professor do Instituto Austríaco de

Se a arqueologia nunca fez tantas descobertas quanto nos últimos 50 anos, ela certamente deve esse fato, em boa parte, à tecnologia que foi sendo transformada em instrumento de trabalho nesse mesmo período. Hoje, os arqueólogos contam com recursos que Howard Carter – o descobridor da tumba de Tutancâmon, em 1922 – não imaginaria nem em seus sonhos mais desvairados. Mapeamento de escavações com imagens de satélite, radiografia de artefatos arqueológicos e tomografia computadorizada de múmias são apenas alguns exemplos. A ferramenta tecnológica que mais tem facilitado o avanço da ciência, porém, é mais corriqueira: a internet. “Ela abriu um canal de comunicação e colaboração entre as diversas comunidades de especialistas”, diz o arqueólogo Robin Boast.

Fonte: Super Interressante



Escrito por Wanison às 05:02:19 PM
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Prazer Milenar

Cientista americano reconstrói a surpreendente história da relação entre o homem e as bebidas alcoólicas

Hélio Gomes


Bebo, logo existo.” A frase, subtítulo do primeiro capítulo de “Uncorking the Past” (algo como “Destampando o Passado”, ainda inédito no Brasil), novo livro do cientista biomolecular americano Patrick McGovern, deixa clara a tese da obra. Lançado há poucas semanas, o segundo livro do pesquisador da Universidade da Pensilvânia revela detalhes da milenar relação entre a espécie humana e o álcool, alterador de humor presente em praticamente todas as grandes civilizações do passado e do presente.

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INVESTIGAÇÂO McGovern (acima) busca traços do passado em ânforas milenares

Para McGovern, somos tão naturalmente ligados à substância química que até mesmo nosso nome científico deveria ser revisto, passando de Homo sapiens para Homo imbibens. “Ao redor do mundo e desde os tempos mais remotos, os humanos tomam bebidas alcoólicas. Elas já foram usadas como remédios e lubrificantes sociais, além de terem sido incorporadas em cerimônias religiosas e rituais de toda sorte”, disse McGovern à ISTOÉ.

À frente de uma ciência relativamente nova a arqueologia biomolecular existe formalmente há apenas 25 anos, McGovern atingiu o status de maior autoridade mundial ao encontrar resquícios de uma bebida com mais de nove mil anos de idade em um jarro achado na localidade de Jiahu, às margens do rio Amarelo, na China. “Foi a minha descoberta mais surpreendente e excitante. Pensava que toparíamos com algo mais antigo no Oriente Médio, berço da civilização humana. Mas vale lembrar que os chineses faziam potes de cerâmica desde o ano 13.000 a.C., uma técnica dominada por outros povos apenas cinco mil anos depois”, revela o cientista.

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“Talvez, os mais profundos e marcantes efeitos do álcool repercutam nos pontos mais misteriosos
e místicos do cérebro humano. Seja nas civilizações antigas ou nas modernas, as melhores formas
de estabelecer contato com os deuses ou nossos antepassados é por meio da ingestão de bebidas”
Trecho de “Uncorking the Past”, livro do arqueólogo Patrick McGovern

Segundo o novo livro, a fascinação pelos líquidos estimulou a engenhosidade humana a buscar avanços importantes. No período neolítico, por exemplo, nossos ancestrais foram capazes de domesticar o cultivo dos cereais para ter matéria-prima sempre à mão. O detalhe é que, segundo McGovern, os primeiros fazendeiros pensaram primeiro na cerveja (substituto seguro para águas contaminadas) e depois no pão. Além disso, novas tecnologias de armazenamento, conservação e transporte só foram criadas graças à necessidade de manter as bebidas alcoólicas conservadas e prontas para o uso sejam elas o vinho de arroz chinês e japonês, os fermentados de cacau encontrados
na América Central ou a cerveja egípcia.

“Sabemos que certas civilizações também usavam tabaco, cogumelos, folhas de coca ou maconha em certos rituais. Mas nada estava tão incorporado ao dia a dia como o álcool”, diz o pesquisador. Se você está se perguntando qual seria o paladar dessas bebidas do passado, saiba que McGovern já tentou recriar alguma delas em laboratório. Segundo ele, que conseguiu ajuda e auxílio tecnológico de fabricantes contemporâneos, seus maiores êxitos são uma cerveja de chocolate e o Chateau Jiahu, já batizado de “o vinho mais antigo do mundo”. Resta saber se algum sommelier de plantão encara uma degustação.

Fonte: Istoé



Escrito por Wanison às 04:50:08 PM
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Sorriso amarelo

Estudo revela que os nobres egípcios da Antiguidade sofriam com as consequências da falta de higiene bucal

André Julião

Se uma dor de dente pode acabar com o dia de alguém no século XXI, é de se imaginar o sofrimento que uma inflamação dentária causava em um morador do Egito Antigo milênios antes da invenção da broca e do creme dental. Uma pesquisa realizada na Universidade de Zurique, na Suíça, concluiu que dentes gastos e abscessos eram o terror daqueles tempos. Trata-se do primeiro estudo aprofundado da saúde bucal de faraós e outros membros da nobreza, feito a partir de uma revisão de pesquisas realizadas em três mil múmias desde 1977. Tais estudos só são possíveis graças às técnicas de mumificação egípcias, capazes de preservar dentes ao longo de milênios.

O levantamento confirma algo que os arqueólogos já suspeitavam. No Egito Antigo, o trigo era processado em moedores de pedra, o que fazia com que pedaços de rocha se soltassem e se misturassem à matéria-prima com a qual o pão era feito. Como alimento abundante sempre foi privilégio dos mais ricos, os nobres tinham as bocas mais prejudicadas. “Quanto mais alta a posição social, pior eram os dentes”, explica o egiptólogo Antônio Brancaglion, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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ARCADAS INTACTAS Pesquisa só foi possível graças às técnicas de mumificação

Tantos dentes gastos e quebrados aumentavam a demanda por especialistas, o que fez do Egito a terra dos melhores dentistas do Mediterrâneo durante a Terceira Dinastia, por volta do ano 2300 a.C. Já naquela época, os médicos eram divididos em cirurgiões, oftalmologistas, veterinários e dentistas. Graças a seu talento e perícia, muitos deles iam trabalhar em outras cortes, que reconheciam seu talento no tratamento de doenças e fraturas. Além de extrair dentes quebrados e podres, os dentistas da época drenavam abscessos e faziam até pontes dentárias, prendendo um dente solto a outro saudável. “Eles usavam fios de metal, normalmente ouro, para fazer esses anéis”, diz Brancaglion. Vale lembrar que uma infecção na boca poderia levar à morte na era pré-antibióticos.

O estudo suíço também revela as outras utilidades das arcadas dentárias dos egípcios. Segundo os pesquisadores, os trabalhadores usavam os dentes como ferramenta para segurar cordas, no caso dos pescadores, e para esticar couro, numa profissão que hoje seria equivalente à de um sapateiro. Pobres ou ricos, porém, dividiam a mesma carência de higiene bucal. “Eles usavam um talo de papiro ou junco para tirar os restos de alimentos dos dentes e depois enxaguavam suas bocas. Só isso”, afirma Brancaglion. Mesmo numa época em que o abismo entre ricos e pobres era tão grande ou maior do que hoje, todos dividiam a mesma dor.

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Fonte: Istoé



Escrito por Wanison às 04:39:27 PM
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Cientistas chineses determinam origem genética dos tibetanos


Pequim, 14 dez (EFE).- Um grupo de geneticistas chineses publicou um estudo sobre a origem genética do povo tibetano, o que indica, entre outras coisas, que os habitantes modernos do Tibete chegaram há 21 mil anos, depois da morte da primeira leva de humanos que ali se estabeleceram na última grande glaciação.

Como informou hoje a agência "Xinhua", os primeiros moradores chegaram há 30 mil anos, no período paleolítico, mas não sobreviveram a era glacial que ocorreu há 23 mil.

Um segundo grupo, com genes similares aos dos povos euro-asiáticos, deve ter chegado à região há 21 mil anos, como detalhou a pesquisa coordenada pelo analista Zhao Mian, da Academia Chinesa de Ciências.

Muitos dos componentes genéticos dos tibetanos modernos indicam que boa parte deles é originária de povos que habitavam o norte da China atual, e que chegaram ao planalto há 10 mil anos.

O recente estudo genético confirma o que as descobertas arqueológicas já apontavam.

Os primeiros vestígios humanos no Tibete são marcas de mãos e pegadas de pés, localizados próximos de Lhasa e que os historiadores acreditam que tenham mais de 21 mil anos.

Chamada de Teto do Mundo, o Tibete, com seus mais de 4 mil metros, é uma das regiões habitadas mais extremas para o ser humano, não só pelo frio, mas também pela falta de oxigênio.

Fonte: EFE



Escrito por Wanison às 03:43:54 PM
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A Arqueologia na Prática
O trabalho de um arqueólogo possui várias facetas e cada uma delas possui várias etapas.

A arqueologia não é uma ciência única e exclusivamente de campo. As atividades não se resumem em escavações e, ao contrário disto, a maior parte das atividades arqueológicas, por incrível que possa parecer, acontece antes e depois de uma inspeção, quer seja num escritório, quer seja num cômodo ou mesmo na varanda de uma casa.

Antes de uma visita, a qual denominamos de "diagnóstico arqueológico", o arqueólogo responsável e/ou encarregado da pesquisa, juntamente com sua equipe, deve coletar as mais diversas e diferentes informações sobre a região a ser inspecionada. Dentre muitas coisas observadas, podemos destacar alguns itens básicos:

a) A natureza da região visitada e certos aspectos geográficos como relevo, clima, vegetação e hidrografia;
b) A possível proximidade com outros sítios arqueológicos existentes na região e/ou arredores.
c) O nível de ocupação e/ou intervenção humana (moderna/contemporânea) existente na área a ser visitada;
d) Informações históricas;
e) Vias de acesso à área em questão;
f) Fatores diversos de representem alguma relevância ao estudo da área.

Logicamente que existem variantes, pois a arqueologia é dinâmica e seus meios e mecanismos irão variar sempre que variarem os objetos de estudo, suas localidades e seus agentes, entre outros fatores de igual importância. O que não irá variar, em hipótese alguma, é o cuidado que o arqueólogo e sua equipe devem ter ao se preparar para a execução da atividade arqueológica. Conhecer o máximo possível a região a ser visitada significa saber apontar onde há maior probabilidade de se encontrar o que se espera encontrar. Conhecer a região em seus mais diversos aspectos geográficos é, também, antecipar-se a qualquer eventualidade que venha a atrapalhar o bom andamento da atividade. Outra coisa importante a ser lembrada é que o arqueólogo não "procura" coisa alguma: ele simplesmente sabe, pelo estudo do local e da cultura que tenha existido ali, seja em qual tempo tenha sido, o que é possível encontrar e onde é possível encontrar com maior facilidade.

Durante a inspeção, toda a equipe arqueóloga deve estar afinada e bem equipada. A vestimenta deve ser confortável (caso haja a necessidade de se caminhar por longas distâncias e percursos difíceis), resistente (para que possa enfrentar obstáculos sem danificar-se), de coloração clara (para evitar absorção de calor e ataque de insetos) e deve proteger, em especial, as pernas e a cabeça do individuo (caso seja necessário caminhar dentro de vegetações fechadas, etc.). Além do vestuário, a equipe deve estar atenta aos equipamentos como mapa, bússola, GPS, cantis com água (muita água), máquinas fotográficas, rádios e/ou telefones celulares, lanternas, facões, pinceis, cadernetas de anotações e caneta/lápis, pilhas, kit de primeiros socorros, etc. Cada situação deve ser pensada e prevista. Quanto menor for a possibilidade de deparar-se com o inusitado, maior é a chance de sucesso da equipe. Lembre-se do ditado: "confie em Deus, mas amarre seu camelo".

Após a preparação e a visita ao local, realiza-se a etapa seguinte da atividade arqueológica: a confecção dos relatórios. Independente de ser uma atividade de iniciativa privada, pública, acadêmica ou própria do arqueólogo e sua equipe, sempre haverá a necessidade de se fazer um relatório. O ideal é que seja um relatório para cada visita realizada. Se forem realizadas quatro visitas, serão quatro relatórios e um relatório final, o qual englobará tudo o que foi observado, encontrado e não encontrado, bem como explicações, apontamentos, ressalvas e a conclusão do projeto/pesquisa.

Se for um trabalho realizado em virtude de um negócio que envolva a modificação qualitativa e quantitativa da região a ser pesquisada (ex: represamento, extração de bens minerais, projetos de urbanização, construções em geral, etc), o relatório final deste projeto deverá conter, além de todas estas informações anteriormente citadas, dados sobre o que fora encontrado, sua importância dentro do quadro cultural da sociedade, bem como os possíveis impactos diretos e indiretos do empreendimento sobre a integridade do sítio encontrado. Tal relatório servirá como norteador da realização do empreendimento, ditando sua possibilidade, impossibilidade e/ou as modificações que o projeto deverá apresentar para que haja a preservação do sítio, e isto, é claro, se não for o caso de se realizar um resgate arqueológico do que fora encontrado (se for encontrado).
Fonte: Sociedade Rio Norte Grandense de Arqueologia e Meio Ambiente


Escrito por Wanison às 04:53:19 PM
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Ruínas do Peru são patrimônios da humanidade

 



Escrito por Wanison às 04:44:11 PM
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Veja Este Video Sobre Uma Flauta Pré Histórica :



Escrito por Wanison às 04:32:55 PM
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Veja Como Trabalham os Arqueólogos no Mar

 



Escrito por Wanison às 03:16:50 PM
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Quem é e o que faz o arqueólogo?

Em busca de uma arca desaparecida que concederia poderes fantásticos, o arqueólogo Indiana Jones cruza desertos e enfrenta agentes nazistas que atravessam seu caminho. Com direção de Steven Spielberg, o filme Caçadores da arca perdida, que traz o ator Harrison Ford no papel de "Indy", foi sucesso de público em 1981 e vencedor de 5 Oscars no ano seguinte. O estereótipo da imagem do arqueólogo-super-herói criado pelo cinema norte-amerciano, e difundido por boa parte do planeta, pode ser rapidamente rebatido pela realidade vivida por um profissional da área. "As expedições arqueológicas são, na verdade, somente uma parte do trabalho do arqueólogo e, normalmente, acontecem apenas em algumas épocas do ano, quando as condições climáticas são mais propícias". A afirmação é da arqueóloga Tania Andrade Lima, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O mercado de trabalho para o profissional de arqueologia é bastante amplo. De acordo com Eduardo Góes Neves, do Museu de Arqueologia (MAE) da USP, o arqueólogo pode dar aulas, trabalhar em pesquisas acadêmicas, em museus, em órgãos estatais ou em empresas - trabalho conhecido como arqueologia de contrato.

Atualmente, cerca de 95% dos arqueólogos do Brasil trabalham com arqueologia de contrato. Grande parte dos sítios arqueológicos são descobertos ao acaso, em meio a uma construção ou uma obra. Nesse caso, uma equipe de arqueólogos é contratada (daí o nome "arqueologia de contrato") para promover um salvamento do sítio, caso ele esteja em destruição iminente. Se não houver risco de destruição, o sítio deverá ser cadastrado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para posterior pesquisa. Então, entra o trabalho da arqueologia acadêmica. Na realidade, o profissional que trabalha por contrato passa mais tempo em expedições do que o arqueólogo acadêmico, justamente porque migra de um sítio ao outro.

Andre Poirier Prous, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz que o fato da grande maioria dos arqueólogos brasileiros trabalhar por contrato representa um ponto negativo para a arqueologia nacional. "As pesquisas são direcionadas e a academia fica prejudicada com isso", afirma.

O lado positivo da arqueologia de contrato é apontado por Neves. "O arqueólogo tem que ser ágil, rápido, tem que seguir o ritmo da obra, da conclusão do gasoduto, da rodovia. Isso pode trazer experiências positivas também para a arqueologia acadêmica", afirma. "Por outro lado, a arqueologia acadêmica permite que o pesquisador estabeleça o ritmo de sua pesquisa e, se necessário, retorne ao sítio várias vezes para que seja realizado o seu trabalho".


Do campo ao laboratório


Em seu depoimento, Prous evidencia as dificuldades encontradas no trabalho de campo, seja por contrato ou realizando pesquisas acadêmicas. "O trabalho nos sítios não é fácil, você precisa ficar confinado, convive com um grupo limitado de pessoas muitas vezes por um longo tempo, se submete a variações climáticas. É preciso ser apaixonado pela profissão para ser arqueólogo."

Neves reclama da saudade enquanto está em expedição: "Eu adoro trabalho de campo, se eu pudesse passaria a vida no campo, mas é difícil por causa do distanciamento da família".

De acordo com Pedro Paulo Funari, do Departamento de História da Unicamp, o trabalho do arqueólogo pode ser dividido em quatro etapas: campo, processamento em laboratório, estudo e publicação.

Antes de ir a campo, o arqueólogo deve ter em mente o trabalho que irá realizar. Após realizada uma prospecção inicial, de superfície ou aérea, inicia-se o trabalho de escavação. "Usamos ferramentas normais de pedreiro e fazemos a escavação com as próprias mãos", afirma Neves. Durante as escavações, os materiais encontrados são registrados e descritos em fichas de campo. Numa fase posterior, o material é selecionado e apenas parte dele é levado para laboratórios específicos para que sejam estudados, analisados e, muitas vezes, comparados com o material encontrado em outros sítios.

Atualmente, as datações de todo material arqueológico encontrado no Brasil são feitas em laboratórios no exterior por meio de "testes cegos" (teste realizados em dois laboratórios diferentes para que os resultados possam ser comparados e, assim, mais precisos). Por isso, uma datação realizada por carbono catorze ainda é muito cara no Brasil.

"A datação não é Deus que te responde a idade de uma pedra, mas pode dizer, por exemplo, que um pedacinho de carvão foi queimado há mais ou menos 2500 anos", explica Neves. Datado o material, cabe ao arqueólogo trabalhar o contexto do fóssil. "O arqueólogo tem que mostrar, por exemplo no caso de um esqueleto encontrado, que o peixe do qual esse osso fazia parte morreu há tantos anos atrás, foi trazido para o sítio arqueológico porque foi pescado e consumido por uma comunidade. Os materiais que são datados estão no contexto de uma intervenção humana", conclui.

Por último, cabe também ao arqueólogo publicar o material trabalhado em catálogos de artefatos e fazer o relato da expedição que, muitas vezes, é publicado em algum periódico específico da área.

Como se tornar um arqueólogo no Brasil?


A dificuldade em se tornar arqueólogo começa no longo caminho que deve ser percorrido até a obtenção do título. No Brasil, não existe atualmente nenhuma graduação em arqueologia. "Poucos países do mundo têm essa graduação", afirma Prous, "não há necessidade de uma graduação específica em arqueologia", complementa.

O curso, no entanto, já foi ministrado no Brasil. Em 1976, a Faculdade Marechal Rondon, no Rio de Janeiro, criou a primeira graduação em arqueologia do país. Dois anos depois, a faculdade foi absorvida pela atual Universidade Estácio de Sá.

De acordo com a arqueóloga Tania Andrade Lima, que é graduada em arqueologia e chegou a lecionar na Universidade, o curso funcionou por cerca de 25 anos e recentemente deixou de ser oferecido. "Não creio que se possa dizer que o curso não tenha dado certo porque formou centenas de profissionais que se encontram em atividades hoje no país, alguns deles ocupando destacadas posições na academia, em órgãos federais, ou a serviço de empresas", afirma Lima. Para a pesquisadora, a arqueologia é uma disciplina eminentemente científica, o que é pouco atrativo para uma instituição particular. "Idealmente este é um curso que deveria funcionar em uma universidade pública", diz Lima.

A arqueologia começou a se mostrar no Brasil pouco após a Segunda Guerra Mundial, mas foi somente nas décadas de 60 e 70 que a área foi se firmando, principalmente após a formação do Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas (Pronapa). Nessa época, e nas décadas seguintes, os interessados na área se encaminhavam ao exterior para fazer seus estudos, já que existiam poucos profissionais no país que pudessem orientar suas pesquisas.

Atualmente, para quem deseja ser arqueólogo no Brasil, o caminho mais fácil é fazer uma graduação em alguma área das ciências humanas, ou da biologia, e depois fazer um mestrado em arqueologia. "Mas até quem fez direito pode se tornar um arqueólogo e acabar trabalhando com questões jurídicas dos sítios arqueológicos, por exemplo", complementa a arqueóloga. Eduardo Góes, que tem formação em história, ressalta que é importante que o estudante faça um estágio ou uma iniciação científica na área ainda durante a graduação.

É exatamente isso que fazem Marília Bueno de Araujo, que cursa história, e Alexandre Hering de Menezes, estudante de ciências sociais, ambos na USP. Os dois trabalham no Laboratório de Lavagem do Museu de Arqueologia (MAE) da USP.

Para Tania Lima, esses estudantes estão no caminho certo. "É preciso adquirir conhecimentos básicos durante a graduação, sem os quais o aluno não terá condições de fazer uma pós-graduação na área", afirma.

O Brasil conta hoje com Duas pós-graduações em arqueologia, em São Paulo, no Pernambuco. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Tem um Mestrado em Antropologia com Orientação em Arqueologia Pré Histórica.

Mercado em expansão


"Faltam arqueólogos no mercado, estamos sobrecarregados." A frase de Tania Lima é confirmada por Pedro Paulo Funari que, em 2000, calculou em trezentos o número de arqueólogos em todo o país. "A arqueologia no Brasil é recentíssima, o número de arqueólogos profissionais reduzidíssimo e os centros de formação pouco numerosos" afirma.

Ele destaca um aumento do interesse pelo passado, por parte dos próprios brasileiros, evidenciado em exposições e mostras que trazem informações sobre arqueologia nacional. "Há uma crescente conscientização do valor social do passado", complementa.

Para Neves, essa expansão do mercado de trabalho tem relação direta com a mudança na constituição de 1988 e com a criação do Conama.

A profissão ainda não é regulamentada no Brasil, o que faz com que exista uma discussão a respeito de quem pode se responsabilizar por uma pesquisa arqueológica ou assinar um laudo arqueológico (resultado de uma peritagem em um sítio). Cabe ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) autorizar uma pesquisa arqueológica e, nesse caso, são levadas em consideração a experiência e a formação do profissional para que seja concedida uma autorização.

Ao falar do trabalho do arqueólogo, sobretudo o acadêmico, Funari é conclusivo: "Tornar-se arqueólogo não compromete uma remuneração fabulosa, mas oferece oportunidades excepcionais para refletir sobre a sociedade, para agir com a comunidade em prol tanto da preservação do passado como para a transformação do presente".

Fonte: Revista Comciência



Escrito por Wanison às 01:53:10 PM
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Os primeiros povoadores do Cerrado

Pedro Ignácio Schmitz

O primeiro povoamento do território brasileiro, depois de anos de pesquisa e divulgação, continua assunto não esgotado. As perguntas que sempre voltam: por quem, quando e como foi feito?

Durante anos foram destaque na mídia as datas de 50.000 anos para achados de São Raimundo Nonato, no sertão do Piauí. Mais recentemente foi o caso da Luzia, a jovem mulher de 10.500 anos atrás, cujo corpo foi abandonado na beira de pequeno lago, em Lagoa Santa, Minas Gerais.

Hoje há consenso de que o território brasileiro se encontra povoado desde 9.000 anos a.C., com achados consistentes na Amazônia, no Nordeste, no Planalto Central e nas terras temperadas do Sul. Continua a discussão sobre a biologia e as feições do rosto dessa população. Se a primeira migração vinda da Ásia tinha feições negróides, como a Luzia de Lagoa Santa, como explicar que os indígenas dos milênios posteriores e os atuais têm feições mongolóides, sem resquícios daquela que seria a primeira leva? Se aceitamos esta substituição de populações, vem a pergunta de quando essa troca se teria dado. A hipótese de trabalho é que teria sido ao redor de 7.000 a 6.500 anos a.C., quando ocorreram fortes mudanças culturais no planalto brasileiro.

Outra discussão importante refere-se ao modo de vida dos pioneiros. Em nossa cultura erudita estão fortemente arraigados conceitos que se criaram no estudo dos primeiros caçadores norte-americanos, que são apresentados como pequenos bandos nômades, que teriam vagado sem rumo pelo território, caçando animais gregários, com o uso de dardos ou lanças munidas de grandes pontas de pedra, primorosamente talhadas. O modelo é claramente formado sobre populações de estepes frias com manadas de grandes animais, alguns ainda sobreviventes do último período glacial, a cujas migrações estacionais o homem se teria adaptado para sobreviver.

Mas este não é o ambiente, a que chegaram os primeiros povoadores do planalto, quente e coberto por savana tropical. Pesquisas feitas nesse ambiente, nos últimos trinta anos, no Pará, no Piauí, em Pernambuco, na Bahia, em Minas Gerais, em Goiás, no Tocantins, no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul fornecem numerosos dados para visualizar esse modo de vida nos trópicos.

Um lugar privilegiado para abordar o assunto é o município de Serranópolis, no sudoeste de Goiás, onde a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (São Leopoldo, RS), junto com a Universidade Católica de Goiás (Goiânia, GO) estudaram um conjunto de aproximadamente 40 abrigos rochosos, grandes, ensolarados e limpos, com uma ocupação indígena densa e persistente, que vai de 9.000 anos a.C. até a fixação no lugar de fazendeiros brancos, no século dezoito de nossa era.

Nas espessas camadas sobrepostas desses abrigos rochosos estão bem conservados os testemunhos da ocupação milenar. São camadas densas de cinzas, carvão, restos alimentares originários da caça animal e da coleta vegetal, milhares de instrumentos lascados em pedra e seus refugos de produção, além das sepulturas dos moradores falecidos. As paredes dos abrigos estão cobertas por pinturas e gravuras, que não só identificavam os espaços ocupados, mas também os tornavam domésticos e habitáveis.

Na quase totalidade dos abrigos foram realizadas escavações cientificamente controladas. Um número grande de datas de C-14 sinalizam a mudança do tempo, do clima e da cultura registrados nas camadas.

A partir delas pode-se dividir a ocupação em três períodos bem distintos: o primeiro vai de 9.000 a 6.500 anos a.C. e se caracteriza como de caça generalizada; o segundo, de 6.500 a.C. até o começo de nossa era, continua sendo de caça generalizada, com aumento de coleta de moluscos terrestres e da pesca; o terceiro, a partir de 500 d.C. até a chegada do colonizador branco, acrescenta à caça e à coleta, o cultivo de plantas tropicais. Todos os sucessivos povoadores continuaram usando como sua moradia os mesmos abrigos rochosos

O primeiro período é o mais importante para nosso tema porque mostra como se instalaram e como viveram os pioneiros no cerrado do planalto central.

A primeira constatação: eles ocupavam com bastante continuidade e intensidade o conjunto de abrigos, contradizendo a expectativa de que acampariam neles esporadicamente e a maior parte do tempo vagariam pelo território sem ponto de amarração. Certamente são populações compostas por poucas famílias, mas elas têm um lugar bem identificado por acidentes geográficos, pinturas e gravuras, no qual permanecem por muito tempo e ao qual voltam como a sua referência. Em outros lugares do planalto a permanência nos sítios é menor, ou porque não existem grandes coberturas rochosas que os abriguem, ou porque os recursos que buscam estão mais distribuídos no espaço. Nesses lugares o conceito de nomadismo parece mais aplicável.

A segunda questão é a subsistência: nos abrigos de Serranópolis os restos de alimentos de origem animal e vegetal, que formam o lixo abandonado, são muito abundantes e bem conservados, permitindo perfeita identificação. Apesar de os grandes animais do tempo da última glaciação ainda estarem vivos e existirem na região, não há nenhum vestígio deles no lixo alimentar. O que existe são restos de animais de tamanho médio e pequeno, como veados, carnívoros variados, tatus, lagartos, tartarugas, cobras de todos os tamanhos e muitos ratos; também muitas cascas de ovos de ema. Ao lado dos muitos vestígios de fauna há restos de frutas do cerrado e instrumentos para os esmagar ou moer. Em outras áreas do planalto em que sítios arqueológicos da mesma natureza e do mesmo tempo foram estudados, os resultados são parecidos.

Os artefatos em pedra também não correspondem ao modelo norte-americano. Nas camadas há um número muito grande de instrumentos de pedra lascada e dezenas de milhares de lascas, fragmentos e núcleos resultantes da produção local de instrumentos. Estes são bem acabados, muitas vezes reciclados por causa de intenso uso, indicando, outra vez, estabilidade local. Os instrumentos mais característicos são raspadores em forma de quilha de barco, que os arqueólogos, por alguma semelhança com peças européias, chamam "lesmas" (limaces em francês). Seriam usadas para produzir os instrumentos de madeira, que não se conservaram. Mas pontas de dardos ou lanças, tão típicas no páleo-índio americano, são muito raras e, além disso, extraordinariamente rudimentares e ineficientes. Para apanhar os animais do cerrado seriam de pouca utilidade.

Parece claro que a população aqui estabelecida fez uma adaptação à savana tropical, o cerrado e a caatinga, na qual existem muitos frutos grandes e nutritivos, especialmente no período das chuvas; e existem muitas espécies animais de tamanho médio e pequeno, que moram e são permanentes no lugar, sendo fáceis de apanhar em qualquer momento. Esta situação é muito diferente da observada nas estepes de áreas frias, nas quais existem manadas de grandes animais, que migram de um lugar para o outro, nas diversas estações do ano; estes rebanhos convidam o homem a migrar com eles e exigem que ele use armas eficientes porque a caça é agressiva e põe em risco a vida do caçador.

Em Serranópolis existem grandes espaços cobertos, excelente matéria-prima para fazer instrumentos de pedra e recursos alimentares concentrados por causa da confluência de matas densas, ricos cerrados e campos de altura, condições que permitiram uma prematura sedentarização, que não se observa da mesma forma em outras áreas do planalto.

Neste primeiro período, talvez a população não enterrasse os seus mortos, ao menos não os depositava nos abrigos em que vivia; por isso sua biologia e feições nos são desconhecidas.

A partir de 6.500 anos a.C. nota-se uma mudança no clima e também na cultura. A partir deste momento há numerosos sepultamentos nos espaços ocupados, os instrumentos de pedra se tornam muito simples, meras lascas usadas sem maiores modificações; aumenta a pesca e a coleta de moluscos e diminuem os restos de frutos do cerrado. Se continua a mesma população ou é substituída por outra diferente não dá para ver, por inexistirem esqueletos para comparar. Este seria o momento em que uma população de feições negróides, como a Luzia, seria substituída, de acordo com a hipótese, por uma população mongolóide.

A partir de 500 anos de nossa era os mesmos abrigos são ocupados por outra população que continua caçando e apanhando os frutos do cerrado, aos quais acrescenta o cultivo de plantas tropicais, como o milho, a mandioca, o amendoim, as abóboras e cabaças. E para seu uso fabrica pequenas panelas de barro cozido.

O que podemos concluir do exposto é que as populações indígenas, que chegaram às savanas tropicais, se adaptaram a elas e nelas criaram suas próprias culturas e seu próprio modo de vida. Pensá-los dentro de um modelo norte-americano ou europeu seria desconhecer a criatividade que está atrás de cada cultura e subestimar a seriedade dos arqueólogos brasileiros.

Pedro Ignácio Schmitz é professor do Instituto Anchietano de Pesquisas/UNISINOS.

Quer saber mais?

  • Schmitz, Pedro Ignácio, Sales Barbosa, Altair, Jacobus, André Luiz & Ribeiro, Maira Barberi. Arqueologia nos cerrados do Brasil Central. Serranópolis I. Pesquisas, Antropologia 44. São Leopoldo, Instituto Anchietano de Pesquisas, 1989, 208 páginas.
  • Schmitz, Pedro Ignácio, SILVA, Fabíola Andréa & Beber, Marcus Vinicius. Arqueologia nos cerrados do Brasil Central. Serranópolis II. As pinturas e gravuras dos abrigos. São Leopoldo, Instituto Anchietano de Pesquisas/Unisinos, 1997, 65 páginas de texto mais 96 páginas de figuras.
  • Schmitz, Pedro Ignácio, Rosa, André Osorio & Bitencourt, Ana Luisa Vietti. Arqueologia nos cerrados do Brasil Central. Serranópolis III. Pesquisas, Antropologia 60. São Leopoldo, Instituto Anchietano de Pesquisas, 2004, 288 páginas (a saír).
  • Schmitz, Pedro Ignácio. O povoamento do planalto central do Brasil. 11.000 a 8.500 anos A.P. Anais do 2º workshop arqueológico do Xingó. Max, UFS, 2002, p. 27-45.

Fonte: Revista Comciência



Escrito por Wanison às 01:25:03 PM
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Escrito por Wanison às 01:00:51 PM
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Povos antigos não fizeram aterros no Pará, diz grupo

CLAUDIO ANGELO
editor de Ciência da Folha de S.Paulo

Um grupo de geólogos acaba de apimentar ainda mais uma das maiores controvérsias da arqueologia atual. Eles afirmam que os chamados tesos marajoaras, grandes aterros que abrigavam aldeias indígenas na pré-história, foram formados naturalmente, e não construídos por povos antigos.

Se confirmada, a hipótese será um duro golpe na visão atual dos arqueólogos de que a Amazônia foi habitada por sociedades complexas e altamente hierarquizadas, diferentes dos povos indígenas atuais.

Reprodução
Urna funerária (à dir.) e outras cerâmicas marajoaras; tese vai contra a ideia de que a sociedade na Amazônia era complexa
Urna funerária (à dir.) e outras cerâmicas; tese vai contra a ideia de que a sociedade na Amazônia era complexa

Essa visão, que se estabeleceu na arqueologia sul-americana a partir dos anos 1980, sustenta que as sociedades indígenas de hoje --geograficamente espalhadas, com população baixa e cultura material relativamente simples-- são resultado do genocídio praticado pelos europeus na Amazônia a partir do século 16.

E algumas das principais evidências em favor disso estão justamente na ilha de Marajó, no Pará, foz do rio Amazonas.
As elaboradas cerâmicas coloridas marajoaras, que vão de urnas funerárias a tangas de barro, são conhecidas desde o século 19. E escavações feitas na ilha a partir dos anos 1980, sobretudo pela arqueóloga americana Anna Roosevelt, (então no Museu Field, da Universidade de Chicago), ligaram a produção dessas cerâmicas à construção dos tesos, estruturas de até 90 hectares de área por 20 metros de altura no meio da planície alagável.

Segundo Roosevelt, os tesos foram erguidos por uma sociedade de ceramistas que habitou Marajó e que teve seu apogeu entre os anos 500 e 1500. Eles serviriam de base para as aldeias (já que a região onde se encontram alaga durante metade do ano) e de cemitério.

Como a produção de estruturas monumentais demanda a mobilização de grandes quantidades de mão-de-obra, Roosevelt propôs que a sociedade marajoara fosse um cacicado, uma espécie de organização política intermediária entre uma sociedade tribal e um Estado.

Trabalhos posteriores da arqueóloga brasileira Denise Schaan, hoje na Universidade Federal do Pará, sugeriram que os tesos se articulavam em redes políticas regionais em vez de um poder centralizado.

Paleocanais

O problema dessa interpretação arqueológica é que nunca se encontraram, em Marajó, vestígios de agricultura em grande escala que pudessem ter sustentado uma população tão grande quanto Roosevelt, Schaan e colegas supõem que houvesse na ilha.

Várias soluções para o problema têm sido propostas nas últimas duas décadas, mas o debate continua aberto.

Neste ano, num estudo publicado no periódico "Geoarchaeology", um trio de pesquisadores liderados pela geóloga Dilce Rossetti, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) fornece uma nova interpretação: a maior parte da monumentalidade dos tesos marajoaras se deve não à ação humana, mas a um processo natural de deposição. A civilização marajoara teria simplesmente aumentado os aterros, ampliando um trabalho realizado pela água.

Rossetti e seus colegas mapearam, usando imagens de satélite, a rede de paleocanais que cobria grande parte de Marajó até o fim da Era do Gelo, cerca de 11 mil anos atrás. Como o nome indica, paleocanais são riachos pré-históricos, que secaram há muito tempo.
Esses canais transportavam grandes quantidades de areia e argila, que acabavam sendo depositadas em seus meandros. Quando eles secaram, esses bancos de areia acabaram virando zonas elevadas.

"Nós notamos a correspondência dos sítios arqueológicos com os paleocanais", disse Rossetti à Folha, por e-mail.

Segundo Rossetti e seus coautores, Ana Maria Góes e Peter Mann de Toledo, o formato ovalado dos tesos é uma pista de sua origem fluvial.

De posse das imagens de satélite, o grupo do Inpe também foi a campo. Em Marajó, eles perfuraram tanto os paleocanais quanto dois tesos arqueológicos, o Teso dos Bichos e o Teso Santa Luzia. Em ambos foram coletadas e datadas amostras de sedimento de 18 metros de profundidade.

A análise dos testemunhos (cilindros de sedimento de cinco centímetros de diâmetro) mostra que só nos 2 metros de cima (ou seja, as camadas mais recentes) há vestígios de material arqueológico. Abaixo disso, afirma Rossetti, "registra-se que os sedimentos não foram modificados depois de sua formação". Em bom português, os humanos participaram da construção dos tesos, mas só de sua parte final.

Estruturas menos monumentais também demandariam menos mão-de-obra em sua construção, o que abalaria a visão dos arqueólogos de uma civilização complexa.

Reversões

"Embora a questão seja interessante e válida, esse estudo não a elucida", disse Roosevelt.

A americana aponta vários problemas no trabalho, sendo o principal deles uma metodologia inadequada para investigar presença humana nos sítios.

Segundo a pesquisadora, que se prepara para vir escavar na Amazônia nas próximas semanas, perfurações usadas em geologia, por exemplo, não conseguem "ver" objetos maiores que 5 cm de diâmetro ou outros vestígios de ocupação humana --espacialmente diversificada. É por isso que "buracos" feitos por arqueólogos em um sítio sempre têm pelo menos um metro de lado.

Além disso, diz Roosevelt, os autores registraram várias reversões de camadas de areia e argila na coluna de sedimentos. "Essas inversões são indicadores clássicos de atividade monticular [construção de aterros]", diz Eduardo Góes Neves, arqueólogo da USP que escava na Amazônia Central. "Os autores têm evidências de inversões e não perceberam isso."

Neves diz, no entanto, que gosta do argumento do grupo do Inpe e que ele pode explicar mistérios como a falta de evidência de agricultura.
Rossetti admite que não domina os métodos arqueológicos, mas diz que suas evidências são bem completas. "Achamos interessante trazer esses dados para serem analisados pela comunidade arqueológica", afirma a pesquisadora.

Fonte: Folha Online



Escrito por Wanison às 12:07:16 PM
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Arqueólogos acham objetos do século 19 na cracolândia

RICARDO WESTIN
da Folha de S.Paulo

Um grupo de arqueólogos descobriu 2.344 utensílios domésticos do século 19 soterrados em plena cracolândia, a área mais degradada do centro de São Paulo.

Foram encontrados pratos, xícaras, moringas, vasos, potes e até penicos, entre muitos outros objetos, feitos de materiais como porcelana, cerâmica, louça e vidro e que ajudam a contar a história da cidade. A maior parte está despedaçada e será reconstruída.

Divulgação
Fragmentos de pratos de decoração do século 19 que foram encontrados no local, em uma área de 7.000 metros quadrados
Fragmentos de pratos de decoração do século 19 que foram encontrados no local, em uma área de 7.000 metros quadrados

"Foi uma grande surpresa. Normalmente não passa pela cabeça de um arqueólogo encontrar tantos vestígios tão bem preservados numa cidade como São Paulo", afirma Paulo Bava Camargo, do grupo Zanettini Arqueologia.

Localizada no meio de uma região onde hoje vagueiam viciados em crack --daí o apelido cracolândia--, a quadra em questão é delimitada pelas ruas Timbiras, Andradas, Aurora e General Couto de Magalhães e tem 7.000 metros quadrados. No local funcionou um estacionamento até o ano passado, quando o quarteirão foi desapropriado pelo Estado.

Ali serão erguidas uma escola técnica e a nova sede do Centro Paula Souza (entidade responsável pelas escolas técnicas e pelas faculdades de tecnologia estaduais). O governo de São Paulo quer os edifícios prontos até o fim do ano que vem.

Por exigência da legislação, o Centro Paula Souza teve de realizar uma avaliação arqueológica no terreno. Os arqueólogos foram à cracolândia em junho passado e viram vestígios de 150 anos atrás brotar logo nas primeiras escavações.

20 réis

Entre os achados há objetos nacionais e importados. Alguns são finos, cuidadosamente pintados a mão. Outros são rústicos e até mesmo defeituosos. Isso sugere que naquela quadra conviviam ricos e pobres.

"No final do século 19, São Paulo estava dividida. Havia os Campos Elíseos e a República, áreas de ocupação mais nobre, e o Bom Retiro, onde viviam os imigrantes, os trabalhadores. Era no meio delas que se dava o encontro [das classes sociais]", explica Bava Camargo.

Essa região era o coração de São Paulo. A poucos passos estão as estações ferroviárias da Luz e Júlio Prestes, construídas justamente naquela época.

No quarteirão escavado também foram encontradas pás, machadinhas, ferraduras e moedas -uma é de 20 réis, em cobre, e circulou entre 1868 e 1871. Isso mostra que, além de residencial, a área também tinha comércio. Os arqueólogos creem na existência, por exemplo, de uma estrebaria.

Segundo o arqueólogo Bava Camargo, o fato de não haver um sistema organizado de coleta do lixo -São Paulo só contou com esse serviço na virada para o século 20, em resposta a uma epidemia de febre amarela-, as famílias enterravam ou simplesmente atiravam os entulhos no quintal de casa.

O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) analisará o relatório redigido pelos arqueólogos para decidir o destino dos objetos históricos. Paulo Zanettini, o líder do grupo que fez as escavações, gostaria de vê-los expostos na própria região da Luz.

"Descobertas desse tipo mostram que o passado de São Paulo é muito mais rico do que se imagina", diz Bava Camargo.

Fonte: Folha  online



Escrito por Wanison às 11:26:27 AM
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Restauração de pirâmide gera polêmica entre Unesco e Bolívia; assista

da BBC Brasil

O ministro da Cultura da Bolívia disse não acreditar que a restauração de parte de uma pirâmide de 2.500 anos possa fazer com que o local perca a designação de Patrimônio Mundial da Humanidade.

Uma delegação da Unesco visitará a região este ano para decidir se as obras mudaram significativamente o local, a ponto de ele ser retirado da lista de Patrimônios Mundiais.

O ministro boliviano, Paul Groux, disse à BBC que o governo interrompeu as obras na pirâmide de Akapana, na cidade de Tiwanaku, no oeste do país, no começo deste ano, a pedido da Unesco.

BBC
Pirâmide construída há 2.500 anos é uma das maiores e mais antigas construções pré-hispânicas da América do Sul; assista
Pirâmide construída há 2.500 anos é uma das maiores e mais antigas construções pré-hispânicas da América do Sul; assista

Ele disse ser improvável que a Unesco venha a retirar Akapana de sua lista de patrimônio mundial porque a pirâmide não chegou a ser excessivamente alterada.

Arqueólogos que trabalham na restauração usaram barro e gesso à base de argila, em vez de pedras na reforma da estrutura, despertando críticas na comunidade científica internacional.

Para alguns especialistas, a obra poderia provocar até o desabamento da pirâmide.

A pirâmide de Akapana, construída há 2.500 anos, é uma das maiores e mais antigas construções pré-hispânicas da América do Sul. Ela teve grande influência na civilização Tiwanaku, que é anterior ao império Inca.

Para Jose Luis Paz, arqueólogo boliviano que foi nomeado em junho para avaliar danos na pirâmide, a estatal de arqueologia boliviana Unar cometeu um erro grave ao reconstruir parte da pirâmide com barro, em vez de pedra.

Paz disse que as autoridades de Tiwanaku tinham simplesmente pedido a Unar para que desse um jeito de tornar as pirâmides mais atraentes para turistas.

Mas Groux defendeu a Unar, dizendo que a restauração deixou a estrutura bem mais parecida com seu formato original.

Fonte: Folha Online



Escrito por Wanison às 11:15:10 AM
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Análise em cemitério real do Iraque indica rituais macabros

do New York Times

Uma nova análise de caveiras do cemitério real em Ur, descoberto no Iraque há quase um século, parece defender uma interpretação mais macabra de sacrifícios humanos associados a funerais da elite na Mesopotâmia antiga, dizem arqueólogos.

Criados do palácio, como parte do ritual mortuário real, não recebiam uma dose de veneno para encontrar uma morte serena. Em vez disso, um afiado instrumento, talvez uma lança, era introduzido em suas cabeças.

Spc. Ernest Sivia III -11.out.08/AP
Templo no sítio arqueológico de Ur, no Iraque, local no qual análises do cemitério demonstraram rituais macabros e sacrifícios
Templo no sítio arqueológico de Ur, no Iraque, local no qual análises do cemitério demonstraram rituais macabros e sacrifícios da elite

Arqueólogos da Universidade da Pensilvânia chegaram as essa conclusão após conduzir os primeiros exames de tomografia computadorizada (TC) em dois crânios do cemitério de 4.500 anos de idade. Com 16 luxuosas tumbas em construção e rico em ouro e joias, o cemitério foi descoberto na década de 1920. Uma sensação à arqueologia do século 20, ele revelou o esplendor do ápice da civilização mesopotâmica.

A recuperação de aproximadamente dois mil túmulos atestou a prática de sacrifícios humanos em grande escala. Com a morte de um rei ou rainha, ou até mesmo antes, membros da corte --criadas, guerreiros e outros-- eram mortos. Seus corpos eram geralmente colocados ordenadamente, as mulheres com penteados elaborados, os guerreiros com suas armas ao lado.

C. Leonard Woolley, o arqueólogo inglês que comandou as escavações, uma colaboração entre a Universidade Penn e o Museu Britânico, eventualmente decidiu que os criados haviam marchado até as câmaras funerárias, onde beberam veneno e se deitaram para morrer. Essa se tornou a história convencional.

Entre os muitos restos mortais, apenas alguns crânios foram preservados, e esses haviam sido esmagados em fragmentos --não no momento da morte, mas pelo peso da terra se acumulando ao longo dos séculos para esmagar ossos feito panquecas. Isso havia frustrado esforços anteriores para reconstruir os crânios.

Ao planejar uma nova exposição de artefatos de Ur, que foi inaugurada no último domingo no Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade Penn, Richard L. Zettler, cocurador e especialista em arqueologia mesopotâmica, disse que os pesquisadores fizeram exames de TC em ossos do crânio de uma mulher e de um homem. A partir daí eles obtiveram imagens tridimensionais de cada fragmento, e puderam determinar onde se encaixavam os pedaços.

Os pesquisadores, conduzidos por Janet M. Monge, antropóloga física da Penn, aplicaram habilidades forenses para chegar às prováveis causas da morte nos dois casos.

Havia dois orifícios redondos no crânio do soldado e um no da mulher, cada um com aproximadamente uma polegada de diâmetro. Porém, as evidências mais convincentes, disse Monge numa entrevista, foram rachaduras se irradiando dos buracos. Os buracos só produziriam tais padrões de fraturas ao longo de linhas de pressão se houvessem sido feitos numa pessoa viva. Os ossos de uma pessoa morta há algum tempo, mais frágeis, se destruiriam como vidro, explicou ela.

Monge supôs que os buracos foram feitos por um instrumento afiado, e que a morte "por um violento choque direto foi quase imediata".

Assassinatos rituais associados à morte da realeza eram praticados por outras culturas antigas, dizem os arqueólogos, e isso levanta uma questão: conhecendo seu provável destino, por que alguém escolheria uma vida como criado da corte?

"É como assassinato em massa, e fica difícil para entendermos", disse Monge. "Mas na cultura, essas eram posições de grande honra, e se podia viver bem na corte, então era como uma troca. Além disso, a passagem ao próximo mundo não era, para eles, algo que necessariamente inspirava medo".

Zettler disse que a nova pesquisa também descobriu evidências de que os corpos de algumas vítimas haviam sido aquecidos, assados, mas não queimados, e tratados com um composto de mercúrio. Tratava-se de um processo primitivo de mumificação, não tão avançado quanto as técnicas egípcias da mesma época.

"Aquilo era apenas para evitar que os corpos se decompusessem durante cerimônias funerárias muito extensas", disse ele.

Numa nota mais otimista, Zettler disse que o sítio da antiga cidade Ur, próximo da atual Nasiriyah, no Iraque, foi poupado das recentes batalhas que trouxeram danos e saques a outras escavações. Ur está protegida dentro do perímetro de uma base aérea, que foi recentemente devolvida aos iraquianos.

Fonte: Folha Online



Escrito por Wanison às 11:10:13 AM
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Arqueólogos turcos encontram cadáveres da guerra de Tróia

da Efe

Arqueólogos turcos encontraram os cadáveres de duas pessoas que crêem ter caído na primeira linha defensiva da mítica cidade de Tróia, destruída há mais de 3 mil anos, no oeste da Turquia, informou nesta terça-feira a imprensa local.

Os restos, achados a 350 metros de profundidade embaixo do castelo de Tróia, são de um homem e de uma mulher.

O professor Rustem Aslan, vice-chefe da equipe de arqueólogos, explicou à imprensa que é a primeira vez que se encontraram cadáveres que parecem proceder da guerra de Tróia (entre os séculos XIII e XI a.C).

"Em poucas semanas saberemos a época exata de sua morte e suas idades aproximadas. Estas pessoas foram enterradas na parte inferior da linha defensiva", disse o especialista.

"Se nossas estimativas são corretas, podemos afirmar que encontramos as primeiras vítimas da guerra de Tróia", acrescentou Aslan.

Fonte: Folha Online



Escrito por Wanison às 10:43:53 AM
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Franceses fundaram primeiras fazendas na Inglaterra, diz estudo

da New Scientist

A Inglaterra pode ser mais francesa do que gostaria de admitir. Arqueólogos descobriram que o começo da agricultura inglesa foi introduzido há 6.000 anos por imigrantes da França, e que os antigos bretões talvez tenham continuado como uma sociedade de caça e coleta, sem ter nenhuma ligação com as inovações introduzidas pelos recém-chegados gálicos.

Mark Collard, da Simon Fraser University, em British Columbia (Canadá), e seus colegas estudaram a datação por carbono-14 em ossos antigos, objetos de madeira e grãos de cereal recolhidos por todo o Reino Unido.

Reprodução
Sociedade de caçadores-coletores não adotou agricultura de maneira independente na Inglaterra, segundo estudo
Sociedade de caçadores-coletores não adotou agricultura de maneira independente na Inglaterra, segundo novo estudo

A partir daí, eles puderam calcular como a densidade populacional mudou com o tempo, indicando que, 6.000 anos atrás, a população quadruplicou em apenas 400 anos. Isso coincide com o surgimento de fazendas na Inglaterra.

O estudo foi publicado na última edição da revista "Journal of Archaeological Science".

Desta maneira, a explosão populacional praticamente descarta a ideia de que a agricultura foi adotada de forma independente por caçadores-coletores indígenas, diz Collard.

Restos de olarias e alguns tipos de túmulo sugerem que os primeiros imigrantes vieram da Bretanha, do noroeste da França para o sul da Inglaterra, seguidos, cem anos depois, por uma "segunda onda" imigratória do nordeste da França, que se estabeleceu na Escócia.

Fonte: Folha Online



Escrito por Wanison às 10:40:55 AM
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UEPB e UERN têm estudo sobre grupos humanos pré-históricos

A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) celebram uma parceria que vem rendendo frutos positivos. Recentemente, as instituições realizaram duas atividades de salvamento e escavação arqueológica no Rio Grande do Norte (RN). A primeira atividade aconteceu no município de Tenente Ananias, no mês de setembro, e a segunda entre os dias 31 de outubro e 1º de novembro, na Furna dos Caboclos Bravos - uma necrópole indígena encravada nos confins dos sertões daquele Estado, mais especificamente no município de Santana do Matos.

A pequena furna está repleta de materiais arqueológicos, a exemplo de ossos humanos, contas de colar e trançado de caroá, em meio a inúmeras cavidades naturais, muitas delas repletas de figuras rupestres. De uma das laterais da Furna dos Caboclos Bravos avista-se o extinto vulcão Cabuji, localizado na parte central do Rio Grande, podendo ser visto a centenas de quilômetros.

Objetivo - No Rio Grande do Norte, o projeto é coordenado pelo arqueólogo Waldeci dos Santos e apresenta como principal objetivo estudar as culturas humanas pretéritas da região. O Laboratório de Arqueologia e Paleontologia (Labap) da UEPB, através do professor Juvandi dos Santos, se uniu à equipe de Waldeci, para que seja desenvolvido um amplo projeto que vai estudar o passado humano da localidade, nos âmbitos pré-histórico e histórico.

“O material arqueológico está sendo analisado e, nos próximos meses, será possível obter resultados surpreendentes para os dois estados, que contribuam para elucidar como se deu o processo de povoamento e extinção dos grupos humanos indígenas”, revelou Juvandi.

Para o professor Waldeci, a parceria firmada entre a UERN e a UEPB é muito construtiva. “Uma vez concluídos, os trabalhos servirão para a elaboração de artigos escritos em conjunto. É importante disseminar esse tipo de conhecimento, ainda incógnito para boa parte das pessoas, e trazer novas informações”, destacou.

Equipes - As duas equipes são constituídas por vários pesquisadores e técnicos. Do LABAP/UEPB figuram Juvandi, o aluno do curso de História, Thomas Bruno, e o artista plástico Dennys Mota. Da parte da UERN - ligada ao Laboratório do Homem Potiguar - a coordenação está a cargo de Waldeci, do historiador Helano Francisco de Miranda Carlos e do graduando de Ciências Sociais da UFRN, Cláudio Gustavo. Também compõem a equipe o graduando de História pela UERN, Luiz Carlos Medeiros da Rocha e os auxiliares de escavação, Gilson Luiz da Silva e Antonio Luiz da Silva.

Redação iParaiba com Ascom



Escrito por Wanison às 10:35:26 AM
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Cidades sob o verde
Antes da colonização, a Amazônia já abrigava complexas redes urbanas
Adriano Belisário

Imensas estradas, represas artificiais, sistemas de segurança, numerosas comunidades em constante interação. Tudo isso em plena selva amazônica. Os ecologistas mais desavisados podem se assustar diante desse cenário. Mas, calma: não se trata dos efeitos da devastação recente. A ocupação da Amazônia por uma rede de populações bastante organizadas vem de muito longe...

Recentemente, um grupo de pesquisadores norte-americanos e brasileiros anunciou a descoberta de construções pré-colombianas no Alto Xingu, no norte do Mato Grosso. São grandes canais de comunicação e transporte que derrubam definitivamente a teoria, forte até meados do século passado, de que aqueles povos viviam isolados uns dos outros.

Mesmo restrita ao território dos índios kuikuros, a pesquisa encontrou evidência de redes urbanas bem estruturadas, com aldeias centrais e satélites. Por conta das guerras e, principalmente, das doenças trazidas pelos europeus, estas organizações perderam força, mas ainda sobrevivem em algumas áreas. “A idéia de redes na Amazônia já está bastante consolidada na antropologia. A diferença de nosso trabalho é a escala: descobrimos que elas eram vinte vezes maiores do que se pensava”, explica o antropólogo Carlos Fausto, pesquisador do Museu Nacional. No seu auge, as sociedades do Xingu chegaram a reunir 50 mil habitantes.

Também cai por terra o mito do bom selvagem. Os índios alteravam profundamente o meio em que viviam e, em alguns casos, as interferências eram bastante sofisticadas. Como forma de proteção, algumas aldeias construíram valas de até dois quilômetros de extensão. As estradas que as ligavam tinham até 30 metros de largura, e a localização das tribos era orientada pelos pontos cardeais e pelos rios. Ainda hoje, é freqüente a utilização de barragens artificiais para pesca. “Em alguns sentidos, a sociedade descoberta é comparável a outras urbanas do mundo antigo, particularmente em organização espacial e manejo do meio ambiente. Falta apenas a concentração da população em um ponto singular. Estes assentamentos eram multicêntricos, mas se articulavam em conjunto”, afirma o arqueólogo Michael Heckenberger, da Universidade da Flórida.

As pesquisas aliaram alta tecnologia a conhecimentos tradicionais. Liderados pelo cacique Afukaka, os índios indicavam a posição das antigas aldeias, que eram então mapeadas com tecnologia GPS. Segundo Afukaka, a movimentação entre as tribos ainda é constante. Nas cerimônias do quarup, quando se homenageiam os mortos, a população que vive nas regiões satélites vai até a tribo central. “Os grupos do Xingu fazem festa igual. É como uma aldeia só”, comenta o cacique.

No entanto, a exploração intensiva da Amazônia e os efeitos do aquecimento global vêm comprometendo a preservação das tradições indígenas. Segundo dados do Ipea, a temperatura em algumas áreas da floresta vai aumentar em quatro graus até o fim deste século. As previsões tomam por base um cenário otimista, com taxas de desmatamento muito menores que as atuais e o cumprimento rigoroso do Tratado de Kyoto. “Lugar onde tinha mato na época do meu pai, hoje é grama”, lamenta Afukaka, referindo-se aos arredores das terras demarcadas.

Antes que surjam novas cidades, os habitantes originais merecem que se conheça e se preserve a memória das primeiras civilizações que viveram na Amazônia.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional



Escrito por Wanison às 06:03:40 PM
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Arqueologia na intuição
Há 50 anos, um jesuíta começava a fazer escavações como autodidata. Resultado: virou o pai da arqueologia brasileira
Bernardo Camara

O jesuíta Pedro Ignácio Schmitz é considerado um dos maiores arqueólogos do Brasil. Mas quando resolveu enveredar por esse caminho, em 1957, mal conhecia os meandros da profissão. Pudera: nessa época, não havia arqueólogos no país. Ele não ligou. Devorou todos os livros que encontrou sobre o assunto e saiu a campo para pesquisar. Não parou mais. “Meus primeiros trabalhos foram amadorísticos. Li e estudei muito por conta própria. O resto, tive que inventar”, brinca.

Após analisar pequenos sítios no Rio Grande do Sul, Schmitz foi estudar Teologia. Tornou-se diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Leopoldo, e por conta disso, vez por outra viajava até o Rio de Janeiro para ir ao Ministério de Educação (MEC). Acabou conhecendo Rodrigo Melo Franco de Andrade, então chefe do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan, atual Iphan).

“Todo mês, Rodrigo me dizia: ‘Precisamos fazer o levantamento de sítios arqueológicos do Brasil’. Então, começou a me enviar dinheiro”, conta. Durante onze anos, um cheque mensal do Sphan ajudava o jesuíta na empreitada. Ele saía reunindo interessados, repassava as técnicas que já estavam com mais forma, e juntos iam revirando um Brasil que ficara para trás. “Com o apoio financeiro, fizemos boa parte do Rio Grande do Sul e de Goiás”, conta.

Hoje, Schmitz é reconhecido como um dos primeiros arqueólogos que atuaram com método científico no Brasil. Mais de 50 anos depois de iniciada uma carreira que nasceu do improviso, o padre venceu a premiação do Iphan que leva o nome de seu maior incentivador: o Prêmio Rodrigo Melo de Franco de Andrade 2009, na categoria Proteção do Patrimônio Natural e Arqueológico. E com os R$ 20 mil recebidos, ele já decidiu o que fazer: “Vou gastar escavando mais alguns terrenos em Santa Catarina”.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional



Escrito por Wanison às 05:43:11 PM
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Unicap: Laboratório e Museu de Arqueologia promove minicurso "Megafauna do Pleistoceno"

O Laboratório e Museu de Arqueologia da Católica irá promover o minicurso "Megafauna do Pleistoceno: quando, como e onde viveram os gigantes que habitaram a Terra". As aulas serão realizadas de 5 a 7 de janeiro, das 8h às 12h, na sala 106 do bloco G (primeiro andar). As inscrições custam R$ 20 e podem ser feitas na Fasa Gráfica.

O minicurso será ministrado pelos estagiários do Laboratório e Museu de Arqueologia Wagner de Oliveira e Joana Paula, respectivamente, alunos de História da Universidade Federal de Pernambuco e Ciências Biológicas da Universidade Católica de Pernambuco. Os estudantes terão a orientação e coordenação da coordenadora do Laboratório e Museu, professora Maria do Carmo Costa. Mais informações podem ser obtidas pelo fone (81) 2119 4192.

Fonte: Assessoria de Comunicação da UNICAP



Escrito por Wanison às 03:38:57 PM
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Professor mexicano ministra curso sobre arqueologia na UFPI

A Universidade Federal do Piauí promove, entre os dias 3 e 7 de novembro, o curso de extensão em Arqueologia Mesoamericana: área central do México ao Caribe. As aulas serão ministradas na sala seis do Espaço Universitário Integrado pelo professor Dr. Pedro Jimenez, da Universidad Veracruzana, México. O Programa de Mestrado em Antropologia e Arqueologia e o Bacharelado em Arqueologia e Conservação de Arte Rupestre são os responsáveis pela organização do evento.

O curso de extensão é voltado para os alunos de graduação e mestrado em arqueologia, história, geografia e pedagogia. O objetivo principal é dar a esses estudantes uma visão mais ampla sobre a Mesoámerica dentro de uma perspectiva antropológica e arqueológica. Ao longo da próxima semana, os participantes do curso irão aprofundar seus conhecimentos sobre a origem dos povos mesoamericanos e um pouco das antigas civilizações Teotihuacan, Mixtecas e Zapotecas.

Quem se interessar em participar do curso pode se inscrever nesta sexta-feira (30) na Coordenação de Arqueologia, localizada no CCN, ou na Sala da Pós-Graduação em Arqueologia, no CCHL. As inscrições prosseguem ainda na terça-feira, sendo efetuadas no Espaço Universitário Integrado. Será cobrado um valor de R$ 3,00 no ato da inscrição. O número de vagas é limitado, comportando 80 alunos.

Fonte: UFPI



Escrito por Wanison às 03:11:19 PM
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O mundo perdido da Europa antiga

Pesquisadores encontram resquícios de culturas mais avançadas que as de Grécia e Roma antigas na Europa

Muito antes da glória alcançada pela Grécia e Roma antiga e das primeiras cidades da Mesopotâmia e Egito, viveu um povo no Vale do Danúbio e nos contrafortes dos Bálcãs que estava muito à frente do seu tempo nas artes, tecnologia e comércio a distância.

Nos 1,5 mil anos anteriores a 5.000 a.C., eles fizeram plantios e construíram cidades, algumas com até 2 mil casas. Domi­naram a fundição de cobre em larga escala, a nova tecnologia da­quela era. Em seus túmulos foi encontrada uma quantidade im­­pressionante de adereços e a mais antiga grande coleção de artefatos de ouro do mundo.

Os desenhos marcantes da cerâmica demonstram o refinamento da linguagem visual dessa cultura, até agora perdida. As pesquisas recentes, de acordo com arqueólogos e historiadores, au­­mentaram a compreensão dessa cultura há muito esquecida, e que parece ter se aproximado do li­­miar do status de civilização. A escrita ainda não havia sido inventada e ninguém sabe como o povo se chamava. Para alguns acadêmicos, o povo e a região são simplesmente a Europa Antiga.

Em seu auge, cerca de 4.500 a.C., “a Europa Antiga estava en­­tre os lugares mais sofisticados e tecnologicamente avançados do mun­­do e desenvolveu muitos si­­nais políticos, tecnológicos e ideológicos de civilização”, disse Da­­vid W. Anthony, professor de an­­tropologia do Hartwick College, em One­­onta, Nova Iorque, e autor de The Hor­­se, the Wheel, and Lan­­guage: How Bronze-Age Riders from the Eurasian Steppes Shaped the Modern World. Historiadores sugerem que a chegada de povos das estepes ao su­­des­­te da Europa pode ter contribuído para o colapso da cultura da Europa Antiga, por volta de 3.500 a.C.

Embora escavações ao longo do último século tenham descoberto vestígios de antigos assentamentos e estátuas de deusas, os arqueólogos locais só descobriram em 1972 um grande cemitério do quinto milênio a.C., em Varna, Bulgária, época em que começaram a suspeitar que aquelas não eram pessoas pobres vivendo em sociedades igualitárias pouco estruturadas.

A história que agora surge é que agricultores pioneiros mudaram-se para o norte em direção à Europa Antiga por volta do ano 6.200 a.C., vindos da Grécia e da Macedônia. Eles estabeleceram colônias ao longo do Mar Negro e nas planícies e colinas do rio, que evoluíram em culturas relacionadas, mas um tanto distintas, conforme descobriram os arqueólogos. Os assentamentos mantinham contato próximo através de redes de comércio de cobre e ouro e também compartilhavam pa­­drões de cerâmica.

Conchas

A concha Spondylus do Mar Egeu era um item especial de comércio. Talvez as conchas, usadas em pingentes e braceletes, fossem símbolos de seus ancestrais egeus. Ou­­tros acadêmicos veem essas aquisições de longa distância como motivadas em parte pela ideologia de que os produtos não eram bens comuns no sentido moderno, mas sim itens “de valor”, símbolos de status e reconhecimento.

Notando a difusão desse tipo de concha, Michel Louis Seferiades, antropólogo do Centro Nacional para Pesquisa Científica, na Fran­­ça, suspeita que “os objetos eram parte de um halo de mistérios, uma mistura de crenças e mitos”.

Seja como for, Seferiades escreveu no catálogo da exposição que a predominância das conchas sugere que a cultura possuía ligações com “uma rede de rotas de acesso e elaborados sistemas de escambo – incluindo a permuta, a troca de presentes e a reciprocidade”.

Algumas cidades do povo Cu­­cuteni, uma cultura posterior e aparentemente robusta que se assentou ao norte da Europa An­­tiga, foram erguidas ao longo de mais de 800 acres, o que os arqueólogos consideram maior do que qualquer assentamento humano da época.

A cerâmica caseira decorada em estilos diversos e complexos sugere a prática de refeições ritualísticas. Enormes travessas dispostas em prateleiras eram típicas da “apre­­sentação socializante do alimento” da cultura, revelou a Dra. Chi.

Inicialmente, a falta de uma arquitetura de elite levou acadêmicos a presumir que a Europa Antiga possuía pouca ou nenhuma estrutura hierárquica de po­­der. Tal crença foi abandonada após a descoberta dos túmulos do cemitério de Varna. Durante vinte anos após as descobertas de 1972, os arqueólogos encontraram 310 túmulos datados de aproximadamente 4.500 a.C.. Anthony afirmou que isto foi “a melhor prova da existência de uma posição social e elite política claramente distintas”.

O cobre, não o ouro, pode ter sido a principal fonte do sucesso econômico da Europa Antiga, acredita Anthony. Como a fundição do cobre foi desenvolvida por cerca de 5.400 a.C., as culturas da Europa Antiga exploraram as ricas jazidas da Bulgária e do que hoje é a Sérvia.

Estatuetas foram encontradas em praticamente todas as culturas da Europa Antiga, em vários contextos: em túmulos, altares do­­mésticos e outros prováveis “espaços religiosos”.

Uma das mais conhecidas é a figura em argila de um homem sentado, com os ombros curvados e as mãos no rosto em aparente contemplação. Chamada de “Pen­­sador”, essa peça e outra figura feminina comparável foram en­­contradas em um cemitério da cultura Hamangia, na Romênia. Estariam eles pensativos ou de luto?

Fonte: The New York Times



Escrito por Wanison às 12:41:21 PM
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O Sonho e a Ruína de São Miguel das Missões

De 9 de dezembro a 17 de janeiro na Caixa Cultural

Na próxima quarta-feira, 9, até o dia 17 de janeiro de 2010, a Caixa Cultural estará expondo fotos de Luiz Carlos Felizardo. A mostra O Sonho e a Ruína é o tema da viagem histórico-arqueológica das ruínas de São Miguel das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul. O público irá, com certeza, se encantar com as belíssimas fotografias do local. A exposição será na galeria principal, das 9 às 22 horas, com entrada gratuita.
 Um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil, local que abrigou religiosos que foram para a região com o objetivo de catequizar os índios guaranis, entre os séculos 17 e 18, é tema do trabalho de Felizardo desde 1973. A mostra está sob a curadoria do próprio Felizardo, em parceria com Paula Ramos.
O Sonho e a Ruína apresenta 50 painéis com imagens em preto-e-branco e textos que abordam a história, a estatuária e a arquitetura das ruínas jesuítas de São Miguel das Missões, declaradas Patrimônio Mundial pela Unesco, em 1983.
 Evidenciando as nuances da região, Felizardo propõe uma visão contemporânea da arte de fotografar. A seleção de imagens traz panorâmicas de paisagens locais e detalhes arquitetônicos do edifício principal da catedral, estes, remanescentes arquitetônicos das missões jesuíticas-guaranis, que representam parte do processo histórico e cultural e da formação territorial do sul do Brasil.
 O artista acompanha as ruínas há várias décadas, fazendo fotografias a partir de registros que ampliam os recursos da linguagem fotográfica. Seu interesse se deve a uma série de coincidências. Seu pai trabalhou ali no início do século XX, presenteando-o com fotos raras e antigas do local.
O parentesco com Luiz Carlos Prestes também o influenciou: uma carta escrita da prisão por ele ao pai do artista, de quem era primo, relata o momento de formação da Coluna Prestes, movimento político-militar do Estado Novo, que escolheu as missões de São Miguel como ponto de reunião das tropas.
 
 O artista
 O local que abrigou religiosos que foram para a região com o objetivo de catequizar os índios guaranis, entre os séculos 17 e 18, é tema do trabalho de Felizardo, desde 1973. Nascido em Porto Alegre, em 1949, Felizardo cursou arquitetura na UFRGS, de 1968 a 1972, ano em que passou a se dedicar à carreira de fotógrafo, destacando-se nas áreas da foto de paisagem e arquitetura.
Ainda na faculdade, desenvolveu pesquisa sobre a arquitetura histórica das missões e, desde então, a produção sobre as ruínas de São Miguel ocupa lugar de destaque em sua obra, chegando a participar do projeto Missões 300 anos (1987).
Felizardo trabalhou ainda em Prescott, Estados Unidos (1984-1985), sob a supervisão do fotógrafo Frederick Sommer, como bolsista da Fulbright Comission, tendo recebido também a Bolsa Vitae de Artes/Fotografia (1990). A obra do artista já foi apresentada em individuais e coletivas no Margs, no Museu da Imagem e do Som, no Masp e no Museu de Arte Moderna de São Paulo, entre outros espaços.
Felizardo também expôs na Argentina, Uruguai, Cuba, Colômbia, Espanha e Alemanha, e publicou os livros Theatro São Pedro (1983) e Luiz Carlos Felizardo – Coleção Senac de Fotografia, volume 3 (2004).

O Sonho e a Ruína

 De 9 de dezembro de 2009 a 17 de janeiro de 2010, de terça-feira a domingo, das 9 as 22 horas, na Caixa Cultural Brasília – galeria principal, localizada no Setor Bancário Sul (SBS), Quadra 4, Lote 3/4.
Entrada franca
Classificação: livre

Fonte: Tribuna do Brasil



Escrito por Wanison às 12:26:08 PM
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Exposição

Exposição Fotográfica Sítios Patrimônio da Humanidade do México

A Universidade Anhembi Morumbi receberá, entre 13 de novembro e 11 de dezembro de 2009, a exposição fotográfica Sítios Patrimônio da Humanidade do México, organizada pelo Conselho de Promoção Turística do México (CPMT).

A mostra – gratuita e aberta ao público – tem como objetivo apresentar as riquezas mexicanas por meio da imagem, reforçando e divulgando o posicionamento do México como um país único, diverso e hospitaleiro.

Na exposição, os visitantes terão a oportunidade de conhecer os 27 lugares nomeados como Patrimônios da Humanidade pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que incluem monumentos, pontos turísticos, edifícios históricos, tesouros arqueológicos e natureza, todos parte da história e das tradições mexicanas.

O México é o país que possui mais sítios “Patrimônio da Humanidade” em todo o continente americano. Isso não é só pelas suas belezas naturais, mas também por sua riqueza histórica e cultural, hoje protegida ativamente para sua conservação futura.

Exposição Fotográfica Sítios Patrimônio da Humanidade do México
Data:
13 de novembro a 11 de dezembro
Local: Campus Avenida Paulista
Endereço: Avenida Paulista, 2.000 – Bela Vista

Fonte Universidade Anhembi Morumbi



Escrito por Wanison às 07:11:34 PM
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Museu

Museu de Pré-História Casa Dom Aquino comemora três anos de existência
Cuiabá / Várzea Grande, 04/12/2009 - 17:04.

Da Redação

O Museu de Pré-História, localizado nas acomodações da Casa Dom Aquino, está em clima de comemoração. Na próxima segunda-feira (07.12), a instituição completa três anos de funcionamento. Para celebrar o seu aniversário, o museu abre as portas para a exposição “Pinturas e Misturas” da artista plástica Lu Vanzeler.

A exposição, que perdura até o dia 18 de dezembro, pretende incentivar novos talentos das artes visuais, bem como mostrar ao público uma arte que agrega pinturas sobre telas, reciclagem e montagem artesanal, mostrando uma forma simples e agradável de preservar o meio ambiente. O lançamento da exposição acontece às 18h, no próprio museu.

Mais de 7.000 visitantes, entre estudantes e público geral, já passaram pelo museu, que conta com uma exposição permanente de peças Arqueológicas e Paleontológicas do Estado. O objetivo desta é transmitir conhecimentos arqueológicos e paleontológicos aos cidadãos de todas as classes sociais e de diferentes áreas do conhecimento incentivando a preservação dos sítios arqueológicos e paleontológicos, bem como do meio ambiente.

O Museu está aberto para visitação de segunda à sexta, entre 8h e 12h retornando às 14h ficando aberto até 17h30. Para quem quiser visitar o museu, ele está localizado na Avenida Beira Rio, em frente ao estacionamento da Unic.

Telefones para contato: 3613-9290 / 3634-4858

Sobre o Museu:

A Casa Dom Aquino é um Patrimônio Histórico do Estado de Mato Grosso construído em 1842 e foi local de nascimento de duas pessoas ilustres de Mato Grosso: Joaquim Murtinho e Dom Aquino Corrêa.

Foi criado em dezembro de 2006 através de uma parceria entre o Instituto Ecossistemas e Populações Tradicionais (ECOSS) e a Secretaria de Estado de Cultura (SEC), com o intuito de incentivar a educação, a cultura, a pesquisa e a inclusão social.

Sobre o acervo do museu, a exposição paleontológica inclui os fósseis do Estado de Mato Grosso organizados de forma cronológica. Já a arqueológica está dividida em pré-histórica e histórica tendo na primeira, artefatos produzidos pelo homem pré-histórico, como machadinhas, ponta de lança e cerâmicas; e na segunda artefatos dos séculos XVIII e XIX como fragmentos de cerâmicas neobrasileiras e de faianças finas, vidros, instrumentos de ferro e moedas.

Fonte: Folha do Estado 

 



Escrito por Wanison às 07:05:05 PM
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Barco naufragado na Praia dos Ingleses, em Florianópolis, era pirata

Descoberta foi feita nesta semana pelo grupo que há cinco anos pesquisa a embarcação

O barco naufragado no século XVII na Praia dos Ingleses, em Florianópolis, e responsável por dar nome à praia era pirata. A descoberta foi feita nesta semana por pesquisadores da ONG Projeto de Arqueologia Subaquática (PAS).

De acordo com o historiador Amílcar D´Avila de Mello, o barco pertenceu a Thomas Frins. Ela integrava uma frota pirata composta por 900 homens, em sua maioria ingleses e franceses.

— Nossa pesquisa é amparada por fontes históricas e evidencias arqueológicas. Os piratas teriam saqueado colônias espanholas no Pacífico de 1684 a 1687 — conta Mello.

Depois de se perder da frota e ser perseguido pelos espanhóis, Frins teria tentado voltar à Inglaterra pelo Atlântico. Quando chegou a uma praia do Norte da então Vila de Nossa Senhora do Desterro, na Ilha de Santa Catarina, foi capturado pelo fundador da vila, o ex-bandeirante Francisco Dias Velho.

Cerca de 1,5 mil objetos já foram recolhidos da embarcação. A equipe pretende, ainda, elucidar mais fatos a respeito do naufrágio. A pesquisa começou em 2004 e até agora foram investidos R$ 2,4 milhões pela Fundação de Apoio á Pesquisa Científica e Tecnológica no Estado de Santa Catarina (Fapesc).

Fonte: Diário Catarinense



Escrito por Wanison às 06:50:34 PM
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Descobertas ruínas da 1ª casa do país

Notícia publicada na edição de 04/12/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Escavações arqueológicas revelaram uma parede daquela que pode ser a casa mais antiga do País. A descoberta ocorreu em São Vicente, na Baixada Santista (SP), que já detém o título de cidade mais antiga do Brasil. Erguida entre 1516 e 1520, a construção é anterior à chegada do navegador português Martin Afonso de Sousa, que fundou a Vila de São Vicente em 1532.

Acreditamos que seja a parede da casa do Bacharel Mestre Cosme Fernandes, um dos primeiros portugueses a habitar o País. Ele era um degredado que chegou em 1502, em Cananeia, na expedição de Américo Vespúcio, mas depois veio para São Vicente e montou um ponto de apoio aos navegadores, onde vendia água, comida, tradutores de língua indígena, afirmou o historiador Marcos Braga.

O historiador explicou que, à época, havia entre 10 e 12 habitações no local, apenas uma delas de pedra, local onde residia Fernandes. Ele ganhou muito dinheiro aqui. Vendia pau-brasil e chegou a vender 800 escravos indígenas para a Espanha. Braga explicou que a descoberta é importante porque dá base real a uma história que já se conhecia, porém, da qual não se tinha muitos indícios físicos, destruídos principalmente por três grandes ataques piratas ocorridos entre 1536 e 1615.

A parede foi encontrada aos fundos de uma atração cultural já existente, a Casa Martin Afonso, na Praça 22 de Janeiro (próxima à Praia do Gonzaguinha). A prefeitura chegou até o sítio arqueológico depois de dois meses de escavações, coordenadas pelo doutor em arqueologia Manoel González, para quem a descoberta revela costumes ainda anteriores à colonização portuguesa.

Aqui temos tudo junto. Na parte inferior há um sambaqui (construções feitas pelos povos caçadores-coletores que viveram há 3 mil anos). Logo acima, as cerâmicas revelam a ocupação dos índios tupis, depois temos as cerâmicas de contato, desenvolvidas sob a influência da chegada de outros povos, discorreu Gonzáles, afirmando que já foram catalogados 883 fragmentos retirados de uma área de dois metros quadrados. Entre as peças, há as conchas e ossos usados nos sambaquis, peças de cerâmicas indígenas e pedaços de faiança europeia.

O prefeito de São Vicente, Tércio Garcia (PSB), apontou que a escavação mostrará aos brasileiros um pouco da arquitetura de 500 anos atrás, hoje inexistente mesmo nas cidades mais antigas do País. Já para a próxima temporada queremos construir uma passarela sob as escavações (com dois metros de profundidade) para que as pessoas possam conhecer o sítio arqueológico mesmo durante a continuidade das escavações.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul



Escrito por Wanison às 06:42:45 PM
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e política

Bate-papos Culturais debatem arqueologia e política

A edição de dezembro dos Bate-papos Culturais será realizada amanhã, 5, das 14h30 às 16h30, no Museu Joaquim Felizardo (rua João Alfredo, 582, Cidade Baixa). Neste mês, o tema para debate é "Arqueologia e política: breves considerações sobre arqueologia em Israel", com os ministrantes Edison Cruxen, arqueólogo e professor do IPA, e Josue Berlesi, historiador e doutorando da UBA (Argentina).

Os Bate-papos Culturais são realizados pelo Museu Joaquim Felizardo, administrado pela Secretaria Municipal da Cultura (SMC), em parceria com a Associação Rio-grandense de Proteção do Patrimônio Arqueológico e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Os encontros ocorrem mensalmente, nos primeiros sábados de cada mês, no museu. O evento aborda temáticas relacionadas ao patrimônio cultural e à cultura material, incluindo a arqueologia, promovendo diálogos com a comunidade, pesquisadores, docentes e todos aqueles que se interessarem pelos assuntos.

Arqueologia e política: breves considerações sobre arqueologia em Israel

A construção do conhecimento histórico é uma prática também política, pois há escolhas de temas e momentos históricos para serem divulgados ao público. A arqueologia e a cultura material muito contribuem neste legado. No entanto, as relações identitárias que se criam através dos "achados" arqueológicos podem ou não justificar ações de tomadas de territórios e construção do sentimento de nação. Os legados históricos se amarram aos fatos dessas construções e, dessa forma, desafiam ou se coadunam à política vigente em cada lugar. Dentro dessas perspectivas, se discutirá como as pesquisas arqueológicas no Oriente Próximo têm sido encaminhadas na construção de um legado histórico e de um aparato identitário coligado às políticas nacionais do Estado de Israel.

Fonte: Prefeitura de Porto Alegre - RS



Escrito por Wanison às 06:29:21 PM
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Como Indiana Jones

Como Indiana Jones

Quem são os arqueólogos brasileiros que, como o herói do cinema, trocam os livros por picaretas e acham tesouros históricos

Rodrigo Cardoso

 

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ENTRE MÚMIAS Cintia tem uma sala dentro da tumba

Cintia Alfieri Gama
Idade
: 28 anos
Formação: historiadora e mestre em arqueologia. Atualmente, faz doutorado em religião do Egito Antigo na Escola Prática de Altos Estudos, na universidade Sorbonne (França)
Expedições: participa de duas escavações no Egito: em uma tumba e outra em um templo

Descobertas: estatuetas funerárias em tumbas, uma múmia, cadáveres e cerâmicas da época dos faraós
Fazia 40 graus à sombra, debaixo de uma tela de plástico perfurada em Monte Sião, Jerusalém. Corria o último mês de julho e cerca de 50 titulados acadêmicos de diferentes partes do mundo distribuíam picaretadas nessa porção de terra sagrada, onde ficava a residência de Caifás, o sumo sacerdote que presidiu os dois julgamentos de Jesus Cristo. Todos haviam trocado de bom grado o ar-condicionado de suas salas nas universidades para suar sob o sol escaldante da cidade santa, em busca de tesouros históricos. No meio dessa turma um brasileiro, professor de arqueologia, com um chapéu à Indiana Jones na cabeça, lutava contra uma tendinite no braço esquerdo provocada por uma inflamação na coluna cervical. Aos 54 anos, o paulista Jorge Fabbro, teólogo com mestrado em arqueologia pela Andrews University (EUA), não queria abandonar a terceira expedição da qual participava em Israel.

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Rodrigo da Silva
Idade:
39 anos
Formação: teólogo, filósofo e doutor em teologia bíblica.
Fez pós-doutorado em arqueologia na Andrews University (EUA), além de cursos de arqueologia na Universidade Hebraica de Jerusalém
Expedições: escavações em Israel, Jordânia, Sudão e Espanha
Descobertas: uma estatueta do período neolítico, datada entre 10000 a. C. e 5000 a. C., hoje exposta no museu de Shaar ha Golan, em Israel, e três moedas gregas raras

Além de atender às preces do professor Fabbro, Deus deu o ar da graça a todos os seus colegas de empreitada. A escavação da qual participavam resultou em uma das maiores descobertas da arqueologia bíblica deste ano: uma taça de pedra, datada do século I d.C., na qual estão escritas dez linhas, possivelmente em aramaico ou em hebraico. Trata-se de um código secreto, ainda misterioso, formado por algumas letras redigidas de cabeça para baixo e frases de trás para a frente. Uma relíquia do tipo, suspeitam os pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte que capitaneavam a missão, pode ter sido usada por Jesus para se lavar ritualmente antes da última ceia.

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Entrada da Tumba

Não existe na história de Israel nenhum vaso ritual com inscrição tão extensa quanto este. “Infelizmente não fui eu quem deu a picaretada para tirá-lo do chão”, lamenta-se, em um primeiro momento, o professor Fabbro. “Mas o prazer de tocar em um objeto que ninguém tinha visto em dois mil anos é indescritível.” Saciar o espírito aventureiro, próprio do herói da série “Indiana Jones”, e contribuir com a ciência motivam alguns arqueólogos brasileiros a deixar de lado os livros e o conforto do lar para, no Exterior, sujar as mãos de terra em busca de objetos raros. Não é tarefa fácil.

Em 2007, o professor mineiro Rodrigo Pereira da Silva, especialistaem arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém, escavou na Jordânia. Como os trabalhos em sítios arqueológicos começam cedo por causa do calor, passou um mês acordando às 4h da manhã. Com um turbante na cabeça e munido de trena, pá, picareta, colher de pedreiro, vassoura e pincel, ele dava expediente em uma camada de terra do período persa datada do século VI a.C. até a hora do café, às 8h. Duas horas e meia mais tarde, Silva, que leciona no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), almoçava no alojamento próximo dali, onde ele e outros colegas dormiam. À tarde, o sol castigava e não havia escavação. A labuta, porém, não parava. Com um balde de água e escova de dente, os pesquisadores tinham de lavar os achados.

“O prazer de tocar em um objeto que ninguém tinha visto em dois mil anos é indescritível”
Jorge Fabbro, arqueólogo que escavou três vezes em Israel

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Jorge Fabbro
Idade: 54 anos
Formação: teólogo e advogado, mestre em arqueologia pela Andrews University (EUA)
Expedições: Israel (nas cidades de Tel Dor, Megiddo e Jerusalém)
Descobertas: taça de pedra com uma inscrição de dez linhas usada por sacerdotes do primeiro século do cristianismo. É o vaso ritual que apresenta a inscrição mais extensa da história de Israel. Escama de bronze de 700 a .C. que fazia parte da couraça de um guerreiro

Com algumas poucas mudanças, esse foi o ritual de Silva, 39 anos, nas seis expedições que constam de seu currículo. “É um trabalho gostoso, no qual não existe a síndrome da segundafeira”, afirma o professor, que descobriu uma estatueta datada entre 10 mil a.C. e 5 mil a.C., hoje exposta no museu de Shaar ha Golan, em Israel. Empoeirar-se em terras sagradas do Oriente Médio – o professor Fabbro conta que a cada dois dias de trabalho joga-se fora uma camiseta e uma calça – custa caro e, na maioria dos casos, é bancado pelo próprio acadêmico.

Silva desembolsou cerca de R$ 10 mil na missão da Jordânia. Fabbro, que se inscreveu e foi selecionado pela Universidade da Carolina do Norte, contou com o patrocínio de R$ 20 mil da Universidade Santo Amaro (Unisa), na qual leciona, para passar seis semanas em Jerusalém. O fator econômico é o que mais afasta os pesquisadores nacionais da arqueologia das terras bíblicas. “O Brasil não possui missões no Egito. Até a Argentina tem uma escavação lá”, reclama a egiptóloga Cintia Alfieri Gama. Historiadora e mestre em arqueologia, Cintia é uma paulistana de 28 anos que, atualmente, faz doutorado em religião do Egito Antigo na universidade Sorbonne, na França. Em março do ano que vem, ela retornará a Luxor, cidade egípcia onde, desde 2007, escava na tumba de Harwa, um mordomo dos faraós da 25ª dinastia (que ocorreu entre 747 a.C. e 656 a.C.). “As pessoas estranham quando encontram uma brasileira que se interessa pelo estudo do Egito Antigo e escave. Acabamos virando uma atração”, conta ela.

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CÓDIGO SECRETO A inscrição e o local onde foi descoberta

A maior parte do tempo, Cintia trabalha em uma sala montada dentro da tumba, cujo tamanho é de aproximadamente 1.000 m2. Ali, já catalogou 1382 estatuetas funerárias. Conhecidos como shabtis ou ushabtis, esses objetos, entre 7 cm e 50 cm, eram deixados em sepulturas egípcias e serviam como trabalhadores mágicos que realizariam todas as tarefas que o morto deveria fazer. Com elas o defunto se livrava de afazeres no além. No Egito, ela conta, os pesquisadores estrangeiros não têm permissão para escavar e apenas supervisionam o trabalho braçal realizado pelos nativos. A medida visa garantir emprego ao povo local e impedir o sumiço de peças valiosas. A brasileira está envolvida ainda em outra missão, no templo dedicado à deusa Mut, esposa do deus Amon. “Foi minha primeira escavação, em 2005, e logo na cidade onde se passa o primeiro dos filmes de Indiana Jones”, conta ela, referindo-se à cidade de Tanis.

Nesse local, o arqueólogo mais famoso do mundo, vivido pelo ator Harrison Ford, esquivou-se de cobras mortíferas, trocou tiros com bandidos e imortalizou cenas de pastelão em “Os Caçadores da Arca Perdida”. Na vida real, excluindo o glamour hollywoodiano, a profissão tem lá seu espírito de aventura. O professor Silva escapou de um atentado à bomba que ocorreu no mercado onde sempre passava na volta do sítio arqueológico de Shaar ha Golan,em 1998. “Naquele dia, acabei optando por outro caminho”, conta. A egiptóloga Cintia é aconselhada a não sair à noite da casa onde dorme, no deserto de Tanis, porque “espíritos maus podem atacar”. “Nas portas há sacos de ervas para espantá-los”, diz ela. Já o arqueólogo Fabbro, que chegou a escavar com caças israelenses sobrevoando sua cabeça, brinca ao citar a maior das aventuras dessa profissão fascinante: “Dividir o quarto com colegas. Até Ph.D. ronca!”.

Fonte: Revista Istoé



Escrito por Wanison às 06:16:32 PM
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Stonehenge tropical

Um círculo de pedras no norte do Amapá guarda uma história intrigante sobre povos antigos da Amazônia.

Por Mariana Petry Cabral e João Darcy de Moura Saldanha
Foto de Maurício de Paiva
Stonehenge tropical

Os raios de sol atravessam a pedra do Furo e inundam de luz o círculo cerimonial. Para os arqueólogos, o lugar era usado em datas astronômicas especiais - assim como o famoso sítio britânico de Stonehenge.

A madrugada é uma bênção. Essa é uma das poucas horas nessa região do Amapá, logo acima da linha do equador, em que o forte calor não impera. Nas redes espalhadas pela casa da fazenda que serve de abrigo aos pesquisadores, reina um conforto preguiçoso. A noite chuvosa, contudo, deixa a equipe apreensiva. Afinal, a viagem até o sítio arqueológico Rego Grande só tem um objetivo: observar os caminhos do Sol no céu durante o solstício de dezembro no lugar que, não à toa, ficou conhecido como o "Stonehenge brasileiro". A chuva, portanto, não era bem-vinda.

O sítio Rego Grande, que recebeu o nome do igarapé que o margeia, é formado por mais de uma centena de blocos de granito. Assim como o Stonehenge britânico, um dos mais intrigantes sítios neolíticos do mundo, ele também deve ter sido especial em seu tempo, quando foi palco de cerimônias repletas de oferendas, algumas de caráter astronômico. Lá e cá, ambos os lugares foram usados em festas e cultos, e são obra da vontade de seus construtores em marcar a paisagem de maneira concreta. O Rego Grande, contudo, data de mil anos, enquanto o Stonehenge remonta a cerca de 4,5 mil anos.

A presença de megálitos em várias regiões do planeta, e ao longo de muitos períodos da história, reforça a curiosidade sobre a semelhança entre os dois sítios. "O megalitismo dispersou-se em épocas diferentes. Foi um fenômeno global", diz o português Manuel Calado, da Universidade de Lisboa, especialista nessa área da arqueologia que estuda os monumentos de pedra.

Com mais de 30 metros de diâmetro, a estrutura quase circular do Rego Grande foi idealizada no topo de uma colina, em um trecho que fica no limite entre os campos alagados do litoral e áreas de savana. "Assim como a paraense ilha de Marajó, o Amapá era um dos maiores centros de inovação cultural da Amazônia", diz Stéphen Rostain, arqueólogo francês que estuda sítios na Guiana Francesa há quase 20 anos. De fato, nos dois lados da foz do maior rio do mundo, a exuberância e a diversidade dos estilos cerâmicos demonstram que, no passado, múltiplas culturas interagiram na região, deixando ali um imenso patrimônio arqueológico. A proximidade entre a costa amapaense e o arquipélago de Marajó, usufruída pela população atual, também serviu de elo entre os povos indígenas pré-coloniais. A margem esquerda da foz do Amazonas e o sistema insular do Marajó, com sua grande diversidade de ambientes e enorme rede fluvial, talvez tenham incentivado amplas redes de troca, criando contextos de desenvolvimento cultural que ainda hoje desafiam nossa compreensão.

Na varanda da casa de madeira, onde passamos apreensivos aquela noite chuvosa, o clima agora é de euforia. O céu claro promete sol, mas a data marca a chegada da estação das chuvas - que ali se inicia em dezembro e se estende até julho. O solstício era também uma ocasião má-gica escolhida para diversas celebrações por índios que viviam no âmbito da foz do Amazonas entre os séculos 1 e 18, muitos dos quais habitantes da costa norte do Amapá e parte do litoral do território da atual Guiana Francesa. Nessa região, o Projeto de Investigação Arqueológica na Bacia do Rio Calçoene, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), estuda o que sobrou da vida desse povo. E o sítio Rego Grande é parte importante da história.

Os monumentos de pedra dispersos ao longo do litoral amapaense, entre os rios Araguari e Oiapoque, foram observados pela primeira vez no fim do século 19. Depois, Curt Nimuendajú, etnólogo alemão que percorreu o Amapá na década de 1920, também registrou mais de uma dezena deles. Na década de 50, Betty Meggers e Clifford Evans, americanos que marcaram a arqueologia amazônica ao propor um quadro histórico da ocupação indígena na foz do rio Amazonas, sugeriram que esses locais deviam ser centros cerimoniais, construídos por índios originários da região circuncaribenha.

Ao longo de todo esse litoral, até Caiena, capital da Guiana Francesa, se espalham sítios arqueológicos com um elemento comum: uma cerâmica elaborada, ora pintada com delicados desenhos vermelhos sobre um fundo branco, ora gravada com incisões feitas na argila ainda úmida. Betty Meggers e Clifford Evans chamaram esse estilo cerâmico de aristé. Em escavação recente em uma antiga aldeia indígena 50 quilômetros ao sul do Rego Grande, no Retiro do Padre, alguns fragmentos dessa cerâmica foram recolhidos. Nenhum deles tinha o vigor da decoração das peças clássicas aristés, mas as técnicas de manufatura, a seleção da argila e as formas dos vasos eram do mesmo tipo.

O Retiro do Padre era uma aldeia pequena, com duas ou três casas identificadas pela observação de manchas no solo que marcam os lugares em que os esteios das moradias estavam fincados. Nas lixeiras, além dos fragmentos miúdos de panelas quebradas, restam caroços queimados de palmeiras frutíferas, como o açaí e o tucumã, abundantes por toda a região - um lixo recolhido ao redor de fogueiras e descartado na periferia da aldeia. No entorno do sítio, sobre outras colinas, há mais vestígios de povoações. "Tem muita coisa perdida nesses morros", conta Alzira Souza, esposa do capataz da fazenda, quando lhe mostramos uma lâmina de machado de pedra encontrada na escavação.

Ao mesmo tempo que exploravam seu território, os índios constituíam mitos para explicá-lo. Figuras de animais representados nas cerâmicas apontam cosmologias cheias de relações entre seres humanos e animais, em uma interação que ainda hoje caracteriza o ideário indígena amazônico. Diferente do pensamento moderno ocidental, que separa homens e animais, o chamado "perspectivismo ameríndio" aponta para uma fluidez das formas humanas e não humanas que não se encaixa na distinção entre cultura e natureza. A mistura dos motivos animais e humanos sugere, em vários potes, personagens híbridos.

Cobras, sapos e lagartos, aves e macacos, além de corpos e rostos humanos, são figuras recorrentes nos potes cerâmicos, funerários ou não. No Rego Grande, os vasos com desenhos de répteis foram colocados em meio a blocos de granito, enquanto aqueles com aves estavam no interior do monumento, afastados das pedras. Mais que uma mimese do hábitat animal, essas práticas organizam e manipulam um jeito próprio de dar sentido ao mundo, construindo lugares em que a memória do grupo fica inscrita.

A construção dos megálitos é também parte dessa apropriação da paisagem, ou seja, da transformação de conhecimentos abstratos, de histórias orais, em estruturas concretas. Mil anos depois, nós caminhamos de novo sobre o chão que os índios pisaram, à espera do alvorecer do dia do solstício. Na noite escura, percorremos os 300 metros que separam a casa de madeira do sítio Rego Grande, sentindo a umidade do capim molhado da chuva entrando nos sapatos. A colina onde está o sítio se destaca no relevo. É uma caminhada tranquila até o alto e, ao longo dos quase quatro anos de pesquisa no local, são incontáveis as vezes em que subimos para alcançar o topo onde as pedras foram colocadas. Mesmo assim, a cada vez a sensação se repete: a expectativa dos blocos ganhando dimensão, e o círculo aparecendo, impõe reverência. Sempre uma emoção nova toma conta de nós.

O trabalho na construção dos monumentos de pedra exigiu não apenas força bruta mas também organização e controle político. Foi necessária a coesão de muitas pessoas, além de liderança forte para reuni-las e convencê-las de que o esforço valia a pena. Encontrar os blocos não devia ser tarefa fácil. Muitos certamente já estavam soltos sobre os afloramentos, mas as cicatrizes encontradas em alguns lajedos mostram que vários blocos tiveram de ser extraídos. As ferramentas e as técnicas empregadas são desconhecidas, mas detalhes nos megálitos sugerem que os índios aproveitaram falhas na base das pedras para retirá-las. Uma vez soltos, os blocos eram carregados até o topo das colinas - alguns podem pesar mais de 4 toneladas -, onde um esforço de engenharia acontecia. A presença de jazidas de pedra com cicatrizes, além de outras dispostas na beira de rios, indica que parte do transporte dos blocos era feita em embarcações. As pedras não eram apenas fincadas no chão. O cuidado na fixação delas, com uso de outras menores para calçar os megálitos em posições definidas, exigiu planejamento e sabedoria.

Os megálitos foram idealizados por volta do ano 1000, quando alguma coisa aconteceu na vida daquele povo. Em algum momento houve o ímpeto de construir essas estruturas que transformariam para sempre a composição das paisagens. Diferentemente das aldeias, os monumentos de pedra não perecem - e seus arquitetos bem sabiam disso. Uma vez concebidos, eles passam a ser alvo do interesse de muitas gerações posteriores, que talvez os ampliem e modifiquem, repetindo práticas que, como em todas as culturas, reforçam e constroem identidades.

As escavações no Rego Grande, iniciadas em 2006, mostram isso: um local muito visitado e alterado. Centenas de potes cerâmicos foram levados até lá. Alguns eram de fato urnas funerárias, onde os ossos, em certos casos cremados, eram guardados. Mas a maior parte é de bacias, vasos, pratos e tigelas que serviram como oferendas, talvez aos mortos. Alguns potes eram deixados sobre os blocos, onde acabaram partidos ao rigor do clima. Outros foram quebrados de propósito mesmo - jogados dentro dos poços funerários. Mas há também potes inteiros, enterrados em pequenas valas ou arranjados em volta de urnas funerárias, dentro dos poços. A maior parte das vasilhas não tem sequer marcas de uso, como se tivessem sido produzidas com um único fim: servirem de oferta ao monumento.

Havia com certeza um controle do uso daquele espaço, regras a serem seguidas e datas para celebrações. As urnas funerárias encontradas mostram que nem todas as pessoas recebiam o mesmo tratamento após a morte. "O número limitado de urnas pode indicar que esses funerais eram reservados a pessoas de alto status, como chefes tribais ou de clãs", sustenta o arqueólogo francês Rostain, que pesquisou intensamente a margem esquerda do rio Oiapoque. Para ele, esses grupos estavam organizados em "uma confederação com um chefe soberano", indicando núcleos sociais hierarquizados que diferem das sociedades indígenas atuais na região.

É possível que as hierarquias desses grupos não fossem permanentes, ficando fortalecidas em tempos de guerra ou em datas importantes, como antropólogos já sugeriram ao explicar a história de grupos indígenas atuais, entre eles os palikurs, que vivem hoje na região do Baixo Oiapoque. De acordo com essa teoria, pequenas aldeias independentes acabariam reunidas, em momentos específicos, sob a liderança de figuras eminentes no cenário regional, juntando esforços para construir, por exemplo, monumentos como o Rego Grande. O mesmo lugar em que nós estávamos, naquela manhã após a chuva.

O Sol desponta no horizonte, exatamente no ponto mais austral de sua rota cíclica anual entre os dois hemisférios. O solstício se anuncia. Então, uma viagem no tempo, uma volta ao mundo dos povos que sedimentaram o sítio se materializa sobre os blocos de rocha inclinados a nosso redor. De novo, surgem as questões que tanto nos motivam: quem foram eles? Como viviam? Como experienciavam o solstício?

Os antigos nos legaram os megálitos. E, naquele instante, a presença das rochas causa em nós uma estranha sensação de companhia.

Fonte: National Geografic



Escrito por Wanison às 05:00:01 PM
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